quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Elvis Presley - An American Trilogy

Elvis Presley - An American Trilogy
Música: An American Trilogy
Cantor: Elvis Presley
Composição: Adaptado por Mickey Newbury
Álbum: Aloha From Hawaii
Ano de Lançamento: 1973
Selo: RCA Victor
Produção: Marty Pasetta, Elvis Presley e Joan Deary
Músicos: Elvis Presley (voz e violão) / James Burton (guitarra) / John Wilknson (guitarra) / Charlie Hodge (violão e vocais) / Jerry Scheff (baixo) / Ronnie Tutt (bateria) / Glen Hardin (piano) / J.D.Summer and the Stamps (vocais) / The Sweet Inspirations (vocais) / Kathy Westmoreland (vocais) / Joe Guercio Orquestra

Comentários: 
Quem gosta de Elvis Presley e coleciona seus discos vai acabar encontrando dezenas e dezenas de versões dessa música em muitos títulos, principalmente em CDs que trazem shows ao vivo. Elvis usou muito American Trilogy em seu repertório nas turnês. Só que fazendo uma retrospectiva a melhor versão dessa canção é mesmo a que foi lançada no ãlbum "Aloha From Hawaii", bem melhor inclusive do que a versão do Madison Square Garden. Elvis surge mais concentrado, mais focado e disponibiliza uma versão perfeita, sem problemas, sem retoques, sem críticas a fazer. A mais tecnicamente bem elaborada que você conseguirá ouvir! 

Como o próprio nome indica essa versão é na verdade um medley, uma trilogia que reúne 3 antigas canções dos tempos da guerra civil dos Estados Unidos. A autoria original foi perdida pelas areias do tempo e essa versão que ouvimos aqui foi adaptada por Mickey Newbury. E nem preciso dizer que Elvis adorava! Para ele era uma oportunidade de demonstrar seu patriotismo, além de esbanjar talento nos vocais. Aqui o cantor soltou mesmo seu vozeirão, abalando todas as estruturas. Maravilhosa Interpretação! 

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Elvis Presley - Am I Ready

Elvis Presley - Am I Ready
Cantor: Elvis Presley
Música: Am I Ready
Compositores: Sid Tepper / Roy C. Bennett
Álbum: Spinout
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 16 de fevereiro de 1966
Produção: George Stoll
Engenheiro de Som: Dave Weichman
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood

Músicos:
Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Tommy Tedesco (guitarra) / Bob Moore (baixo) / Murrey "Buddy" Harman (bateria) / D.J. Fontana (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Homer "Boots" Randolph (sax) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (vocais).

Comentários:
Bela balada de um disco um pouco irregular. Eu sempre digo que não gosto da sonoridade dessa trilha sonora. O som ficou diferente, a qualidade sonora não foi das melhores. Parece que o produtor das sessões, George Stoll, estava tão apressado em finalizar as gravações que deslizou nesses aspectos mais técnicos. Já a performance de Elvis nessa música em particular foi muito boa. Ele aqui repetiu um estilo vocal que sempre me agradou e que ficou muito evidenciado em discos como "Something For Everybody" e até mesmo "Pot Luck". A mesma suavidade, a mesma linha harmônica muito agradável aos ouvidos. Dentro da coleção das canções de "Spinout" essa é seguramente uma das melhores faixas do disco.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A Mess of Blues

Elvis Presley - A Mess of Blues
Cantor: Elvis Presley
Música: A Mess of Blues
Compositores: Doc Pomus / Mort Shuman
Álbum: Elvis Golden Records vol.4
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 21 de março de 1960
Produção: Steve Sholes / Chet Atkins
Engenheiro de Som: Bill Porter
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos:
Elvis Presley (vocais e guitarra), Hank Garland (guitarra), Scotty Moore (guitarra), Chet Atkins (guitarra e arranjos), Bob Moore (baixo), D.J. Fontana (bateria), Murrey "Buddy" Harman (bateria), Floyd Cramer (Piano), The Jordanaires (vocais).

Comentários:
Essa canção fez parte das primeiras sessões de gravação de Elvis após ele retornar para os Estados Unidos. Seu serviço militar na Alemanha estava concluído e ele agora poderia voltar para sua carreira. Nessa mesma noite Elvis ainda gravaria "Stuck on You", "Fame and Fortune" e "It Feels So Right". Era material para ser usado em singles futuros, mas a RCA resolveu segurar "A Mess of Blues" por mais alguns meses. A faixa não saiu no disco "Elvis is Back!" e nem em um single próprio como lado A. Ao invés disso a música ficou algum tempo arquivada para só depois aparecer como lado B do single "It´s Now Or Never", o compacto mais vendido de Elvis durante os anos 60. Só alguns anos depois é que finalmente a RCA Victor a colocou em um álbum, o quarto da série "Elvis Golden Records". Corria na ocasião o ano de 1968. É um belo blues, com levada pop e excelente arranjo. É interessante chamar a atenção para o fato de que pela primeira vez o guitarrista Chet Atkins foi creditado como produtor de uma sessão de Elvis, ao lado de Steve Sholes. Algo merecido, pois o músico realmente embelezou as gravações. Incorporando novos instrumentos e membros na banda de acompanhamento de Elvis. O resultado ficou realmente excelente.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Elvis Presley - Elvis Sings for Children and Grownups Too!

Elvis Presley - Elvis Sings for Children and Grownups Too! 
Já que o dia das crianças está chegando eu me lembrei recentemente desse LP intitulado "Elvis Sings for Children and Grownups Too!" que tenho até hoje em minha coleção de discos de vinil. O álbum foi lançado originalmente em 1978, ou seja, um ano após a morte de Elvis, e mostra claramente que a RCA Victor tinha um vasto mercado consumidor ávido em adquirir discos do cantor mas, até aquele momento, não sabia muito bem como fazer isso. A morte de Elvis ocorrida poucos meses antes criou uma verdadeira corrida às lojas em busca de seus álbuns e discos. De repente todo mundo parecia ter virado fã da noite para o dia. 

Um tipo de sentimento muito comum em relação a grandes ídolos mortos. Como foi um acontecimento inesperado, a gravadora não estava muito preparada para a demanda, por isso começou a criar coletâneas sem muito sentido, aproveitando geralmente datas festivas. O importante era faturar com o calor do momento. Foi dentro desse contexto meio bagunçado que surgiu essa seleção especial para crianças (algo que convenhamos me soa bizarro até os dias de hoje!). O conteúdo reúne músicas infantis cantadas por Elvis ao longo de sua carreira. Obviamente que como roqueiro ou astro de Las Vegas não haveria espaço para esse tipo de faixa, mas em Hollywood tudo era possível. Por essa razão a grande maiorias das músicas foram retiradas de trilhas sonoras, as mesmas que quase acabaram com sua carreira nos anos 1960.

O disco também apresenta alguns equívocos pois nem todas as faixas foram gravadas para o público infantil. Veja por exemplo o clássico "(Let Me Be Your) Teddy Bear". Essa canção da trilha sonora de "Loving You" apesar de ter o nome de um brinquedo popular nos Estados Unidos na época é direcionada na verdade para as fãs adolescentes de Elvis dos anos 1950. Como se sabe surgiu um boato (não verdadeiro) em 1956 de que Elvis adorava ursinhos de pelúcia. Assim de repente as fãs começaram a enviar o ursinho Teddy de presente para ele em Memphis, a ponto do cantor ter que ir à imprensa dizer que ficava muito comovido com o carinho de todas elas, mas que não havia mais lugar em Graceland para tantos ursinhos! Para aproveitar a repercussão dos acontecimentos então a música foi composta. "The Puppet On A String" e "Angel" também seguem essa linha de amores adolescentes, pouca coisa tendo a ver com crianças. 

Entre as músicas puramente infantis se destacam mesmo "Wooden Heart" da trilhas sonora "G.I. Blues" que rendeu uma ótima cena no filme com as marionetes e "Old Shep", um clássico absoluto de seu segundo disco de 1956 e também a única representante de uma obra essencialmente mais roqueira do cantor (embora a canção em si seja uma balada chorosa). E finalizando o disco especialmente criado para a garotada vem a linha trash representada pelas maçantes "How Would You Like To Be" e "Cotton Candy Land" (ambas da mais infantil trilha sonora da carreira de Elvis, "It Happened at the World's Fair" de 1963) e "Old MacDonald" (que confesso simpatizo por ser assumidamente idiota e divertida!). Pois é, em 1978 a RCA provou que ainda não sabia que lado ia em relação ao fantástico acervo de Elvis. Isso só se tornaria mais claro anos depois quando vasto material gravado por ele foi encontrado pegando poeira nos arquivos da gravadora... mas isso, é claro, é uma outra história.

Elvis Sings for Children and Grownups Too! (1978)
(Let Me Be Your) Teddy Bear
Wooden Heart
The Five Sleepyheads
The Puppet On A String
Angel
Old MacDonald
How Would You Like To Be
Cotton Candy Land
Old Shep
Big Boots
Have A Happy

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A Legendary Performer - Volume 3

Elvis Presley - A Legendary Performer - Volume 3
Quando Elvis Presley morreu sua gravadora, a RCA Victor, lançou muitos discos ruins. A maioria eram coletâneas sem maior importância. Meras edições visando apenas tirar dinheiro de admiradores desavisados. Velhas gravações, sem novidade nenhuma, com bonitas capas. Nada muito além disso. Porém havia coisa boa também chegando ao mercado. Essa série intitulada "A Legendary Performer" foi uma das poucas coisas importantes lançadas naqueles anos. Aqui havia sim uma certa preocupação em trazer material inédito para os fãs do cantor. E era justamente isso, gravações inéditas, que os colecionadores mais procuravam.

Aqui, nessa terceira edição, foi lançada pela primeira vez a música "Danny". Ela havia sido gravada para a trilha sonora do filme "Balada Sangrenta". Era uma excelente gravação, tecnicamente perfeita, mas os produtores na época, em 1958, resolveram tirá-la do disco! A razão dessa decisão? Até hoje não se sabe ao certo. Era então uma música inédita, coisa rara, algo que valia pelo LP inteiro. Outras novidades vinham em duas faixas inéditas dentro da discografia de Elvis, "It Hurts Me" e "Let Yourself Go". Não eram as versões oficiais, mas sim gravações do NBC TV Special. Além disso o ouvinte ainda era presenteado com uma versão inédita, ao vivo, de "Let It Be Me". Trocando em miúdos, era coisa que o colecionador não tinha acesso naqueles tempos. Um excelente lançamento para a ocasião.

Elvis Presley - A Legendary Performer Volume 3 (1978)
Hound Dog
Interview - TV Guide
Danny
Fame and Fortune
Frankfurt Special
Britches
Crying in the Chapel
Surrender
Guadalajara
It Hurts Me
Let Yourself Go
In the Ghetto
Let It Be Me

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Elvis Presley - He Walks Beside Me

Elvis Presley -  He Walks Beside Me
Aqui temos outro álbum póstumo de Elvis Presley. Lançado em 1978, no ano posterior ao falecimento do artista, esse disco foi produzido por Felton Jarvis, o produtor que acompanhou Elvis na fase final de sua vida, quando lançou discos extremamente interessantes. Bom, o foco desse LP foi a música gospel, a música religiosa. Praticamente todas as faixas são desse estilo, com breves exceções (em minha opinião). Todas as canções gospel em essência foram retiradas dos 3 álbuns religiosos gravados por Elvis (His Hand in Mine, How Great Thou Art e He Touched Me). As demais foram pinceladas de outros discos do cantor.

A canção de louvor à Virgem Maria, chamada "Miracle of the Rosary" foi tirada do disco "Elvis Now" de 1972. "If I Can Dream" foi buscada lá em 1968. Essa foi a música mais representativa do especial de TV que Elvis realizou no canal NBC. De terno branco, ele realizou uma apresentação memorável da faixa. Um fato curioso é que Felton Jarvis também colocou músicas menos óbvias nessa coletânea, como "Who Am I", uma bela música que nunca havia sido aproveitada bem dentro da carreira de Elvis. Por fim vale os elogios para essa capa, uma das melhores da longa discografia de Mr. Elvis Presley.

Elvis Presley -  He Walks Beside Me (1978)
He Is My Everything
Miracle of the Rosary
Where Did They Go Lord
Somebody Bigger Than You or I
An Evening Prayer
The Impossible Dream
If I Can Dream
Padre
Known Only to Him
Who Am I
How Great Thou Art

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - He Walks Beside Me: Favorite Songs of Faith and Inspiration (1978)
Lançado em fevereiro de 1978 pela RCA Victor, He Walks Beside Me: Favorite Songs of Faith and Inspiration é uma coletânea dedicada a uma das dimensões mais pessoais da carreira de Elvis Presley: sua profunda ligação com a música religiosa. Publicado alguns meses depois da morte do cantor, ocorrida em agosto de 1977, o álbum reuniu gravações realizadas entre 1966 e 1972, período em que Elvis demonstrou especial dedicação ao gospel, sem deixar de lado o rock, o pop e as baladas que o consagraram mundialmente. A seleção combina hinos tradicionais, canções de inspiração cristã e interpretações marcadas pela emoção e pela intensidade vocal do artista. O título, que pode ser traduzido como “Ele Caminha ao Meu Lado”, expressa o sentimento de fé e amparo espiritual presente em boa parte do repertório. Entre as faixas estão “He Is My Everything”, “Miracle of the Rosary”, “Known Only to Him” e “How Great Thou Art”, esta última uma das interpretações religiosas mais emblemáticas de Elvis. A coletânea também inclui duas gravações que despertam interesse especial entre colecionadores: uma versão ao vivo de “The Impossible Dream” e uma versão alternativa de “If I Can Dream”, até então inéditas nessa forma. 

O disco apresenta Elvis em um registro diferente daquele associado aos grandes sucessos do rock and roll dos anos 1950 ou às produções cinematográficas da década seguinte. Aqui, o destaque recai sobre a interpretação vocal, a construção melódica e a atmosfera de reverência das canções. Em “He Is My Everything”, o cantor transmite uma devoção serena, enquanto “Miracle of the Rosary” explora um clima de oração e contemplação. “Somebody Bigger Than You and I” e “An Evening Prayer” reforçam a tradição do gospel norte-americano, estilo que Elvis conhecia desde a infância, quando frequentava igrejas e cantava com grupos religiosos. Já “If I Can Dream”, originalmente associada à apresentação televisiva especial de 1968, amplia o repertório para uma mensagem de esperança, fraternidade e superação das divisões humanas. A presença de “The Impossible Dream”, da obra musical Man of La Mancha, demonstra ainda que a inspiração do álbum não se limita aos hinos propriamente religiosos: inclui também canções sobre coragem, idealismo e perseverança. Na avaliação retrospectiva do catálogo de Elvis, o AllMusic considera o álbum uma boa introdução à sua produção gospel, embora observe que coletâneas posteriores, mais abrangentes, oferecem uma visão mais completa desse repertório. 

Comercialmente, He Walks Beside Me teve um desempenho modesto quando comparado aos grandes discos de Elvis, mas ocupou um lugar significativo na preservação de sua obra após sua morte. O álbum alcançou a 113ª posição na parada de álbuns da Billboard em junho de 1978, mostrando que ainda havia público interessado em descobrir diferentes facetas do cantor. Sua importância está menos no impacto comercial do que no retrato que oferece de uma dimensão fundamental de sua identidade artística. Elvis não interpretava gospel apenas como uma mudança de estilo: a música religiosa fazia parte de sua formação, de suas referências musicais e de sua vida pessoal. Ao longo da carreira, gravou álbuns inteiramente dedicados ao gênero, como His Hand in Mine (1960), How Great Thou Art (1967) e He Touched Me (1972), este último vencedor do Grammy de Melhor Performance Inspiradora. A coletânea de 1978 recupera parte desse legado e aproxima canções de diferentes momentos de sua trajetória, permitindo perceber a continuidade de sua ligação com a fé. Décadas depois, o disco permanece como um registro representativo do Elvis gospel: um intérprete capaz de unir potência vocal, sensibilidade e convicção, revelando um lado mais íntimo de uma das figuras mais influentes da música popular do século XX

Erick Steve. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Elvis Presley - Elvis (1956)

Elvis Presley - Elvis (1956)
O segundo álbum de estúdio de Elvis Presley foi simplesmente intitulado Elvis, sendo também conhecido como Elvis Presley No. 2. Lançado pela RCA Victor em 19 de outubro de 1956, o disco chegou ao mercado poucos meses depois do álbum de estreia e encontrou o cantor em plena ascensão, já transformado em um dos maiores fenômenos da música popular norte-americana. Se o primeiro álbum havia apresentado ao público uma mistura revolucionária de rock and roll, rhythm and blues e country, este segundo trabalho mostrou um artista mais seguro, com maior domínio do estúdio e uma interpretação vocal ainda mais ousada. As sessões principais aconteceram entre 1º e 3 de setembro de 1956, no estúdio Radio Recorders, em Hollywood, sob a supervisão do produtor Steve Sholes. Uma das faixas, “So Glad You're Mine”, havia sido gravada anteriormente, em janeiro, durante as sessões do primeiro álbum. O repertório foi construído para explorar diferentes facetas do cantor, alternando rock and roll acelerado, baladas românticas, blues e canções de influência country. Entre os destaques estão “Rip It Up”, “Long Tall Sally”, “Ready Teddy” e “Paralyzed”, que demonstram a energia e o estilo vocal que fizeram de Elvis uma figura central na transformação da música dos anos 1950. O disco também inclui “Love Me”, “First in Line” e “Old Shep”, revelando um intérprete capaz de passar da irreverência juvenil para momentos de grande sensibilidade. 

A recepção de Elvis foi marcada pelo enorme entusiasmo do público e pela consolidação comercial do cantor. O álbum alcançou o primeiro lugar da parada Billboard Top Pop Albums e permaneceu no topo por cinco semanas ao longo de 1956, confirmando o impacto extraordinário que Elvis exercia sobre o mercado fonográfico. O resultado foi ainda mais significativo porque seu álbum de estreia também havia chegado ao primeiro lugar naquele mesmo ano, tornando Elvis o primeiro artista a conseguir colocar dois álbuns no topo da parada americana durante o mesmo ano. A crítica retrospectiva do AllMusic, escrita por Bruce Eder, considera o disco musicalmente mais confiante e ousado que o trabalho de estreia, destacando a evolução vocal de Elvis e sua habilidade para transformar canções conhecidas em interpretações próprias. A publicação também elogia sua maneira de abordar as composições de Little Richard, especialmente “Ready Teddy” e “Rip It Up”, sem simplesmente imitar o estilo do autor. O álbum alcançou posteriormente certificações de ouro e platina nos Estados Unidos, de acordo com os registros da indústria fonográfica. É importante lembrar que o disco original não incluía alguns dos maiores sucessos daquele período, como “Hound Dog”, “Don't Be Cruel” e “Love Me Tender”, lançados em singles ou em outros formatos. Mesmo sem reunir todos os grandes hits de 1956, Elvis tornou-se um sucesso por sua força musical e pela popularidade crescente de um artista que já começava a redefinir os padrões da música jovem. 

Com o passar das décadas, Elvis passou a ocupar um lugar importante entre os primeiros grandes álbuns da história do rock and roll. O trabalho documenta uma fase em que Elvis ainda estava construindo sua identidade artística, mas já possuía a confiança e a presença vocal de um intérprete de alcance extraordinário. “Rip It Up”, “Long Tall Sally” e “Ready Teddy” preservam a energia explosiva do rock dos anos 1950, enquanto “Love Me” apresenta uma abordagem mais sedutora e “Old Shep” mostra o lado sentimental do cantor. A combinação dessas diferentes linguagens ajudou a demonstrar que o rock and roll poderia funcionar em um álbum completo, e não apenas em singles isolados. O disco também se beneficiou da participação dos músicos que acompanhavam Elvis naquele período, incluindo Scotty Moore na guitarra, Bill Black no baixo e D. J. Fontana na bateria, além de pianistas e vocalistas de apoio em determinadas sessões. Em 1999, o álbum foi relançado em uma edição expandida em CD, com faixas adicionais provenientes de sessões próximas cronologicamente, incluindo gravações de grande sucesso da mesma fase. Atualmente, Elvis é visto como um registro fundamental da explosão artística e comercial do cantor em 1956, quando sua influência ultrapassou rapidamente as fronteiras dos Estados Unidos. Ao lado do álbum de estreia, ele representa uma das bases da discografia de Elvis Presley e um documento essencial para compreender como o rock and roll conquistou o centro da cultura popular internacional. 

Elvis Presley - Elvis (1956)
1. Rip It Up
2. Love Me
3. When My Blue Moon Turns to Gold Again
4. Long Tall Sally
5. First in Line
6. Paralyzed
7. So Glad You're Mine
8. Old Shep
9. Ready Teddy
10. Anyplace Is Paradise
11. How's the World Treating You
12. How Do You Think I Feel

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Elvis Presley - Elvis Presley (1956)

Elvis Presley - Elvis Presley (1956)
Lançado em 23 de março de 1956, Elvis Presley foi o álbum de estreia de Elvis Presley pela RCA Victor e um dos discos que definiram o nascimento do rock como fenômeno de massa. Elvis havia acabado de ser contratado pela RCA, depois de construir uma reputação explosiva na Sun Records, e o álbum reuniu gravações realizadas em janeiro e fevereiro de 1956, complementadas por algumas faixas anteriormente registradas. O repertório apresentava uma mistura revolucionária de rockabilly, rhythm and blues, country e pop, revelando a capacidade do cantor de absorver diferentes tradições musicais e transformá-las em algo novo. "Blue Suede Shoes", "Tutti Frutti", "Money Honey" e "I Got a Woman" mostravam o lado mais agressivo do novo rock and roll, enquanto "I Love You Because" e "Blue Moon" revelavam uma faceta mais sentimental. O trabalho também contou com a participação fundamental de Scotty Moore, Bill Black e D.J. Fontana, além de músicos de estúdio como Chet Atkins. A importância histórica do disco é enorme: ele foi o primeiro álbum de rock and roll a chegar ao número 1 da parada de álbuns da Billboard, ajudando a transformar Elvis em um fenômeno nacional.

A recepção crítica deve ser entendida dentro do choque cultural provocado por Elvis em 1956. A imprensa especializada reconhecia que havia algo completamente diferente naquele cantor de Memphis, cuja voz e maneira de interpretar rompiam com os padrões tradicionais da música popular americana. A Billboard acompanhou de perto a ascensão do disco e seu extraordinário desempenho comercial, enquanto publicações da indústria musical percebiam que Presley estava levando o rock and roll para um público muito maior. O repertório também recebeu atenção pela mistura de estilos: Elvis podia cantar material originalmente associado a artistas negros, como "I Got a Woman" e "Money Honey", e ao mesmo tempo interpretar country e baladas. A importância do álbum tornou-se ainda mais clara com o passar dos anos, quando críticos passaram a reconhecer que ele não era simplesmente um disco de sucesso juvenil, mas um documento fundamental da transformação da música popular americana. A própria história das paradas confirma sua dimensão pioneira: o álbum permaneceu dez semanas em primeiro lugar na Billboard. Embora as grandes revistas de rock posteriores, como a Rolling Stone, ainda não existissem quando o disco foi lançado, sua avaliação retrospectiva foi extraordinariamente favorável, colocando o álbum entre os trabalhos fundamentais da história do rock.

A importância crítica de Elvis Presley também está na maneira como o cantor redefiniu o papel do intérprete dentro da música popular. Elvis não era apenas um vocalista reproduzindo canções: sua maneira de cantar, sua pronúncia, seus improvisos e sua relação física com o ritmo modificavam completamente o material que recebia. A interpretação de "Blue Suede Shoes", originalmente gravada por Carl Perkins, é um excelente exemplo dessa capacidade de apropriação e transformação. "Tutti Frutti", por sua vez, mostra Elvis absorvendo diretamente o rhythm and blues e apresentando-o a um público branco muito mais amplo. A imprensa e os comentaristas culturais da época também não podiam ignorar a controvérsia provocada por sua imagem e por suas apresentações televisivas. Em janeiro de 1956, Elvis havia começado suas aparições no programa Stage Show, e em poucos meses sua presença na televisão já havia provocado debates sobre comportamento juvenil e moralidade. O álbum, portanto, não pode ser separado daquele momento de transformação cultural: ouvir Elvis Presley em 1956 significava entrar em contato com uma linguagem musical que estava ajudando a romper as fronteiras entre country, blues, gospel e música pop.

Comercialmente, o álbum foi um fenômeno extraordinário. Elvis Presley alcançou o primeiro lugar da Billboard Best Selling Popular Albums, permanecendo no topo por dez semanas, e tornou-se o primeiro álbum de Elvis a ultrapassar a marca de US$ 1 milhão em vendas, recebendo seu primeiro disco de ouro. O álbum também chegou ao primeiro lugar em outras pesquisas da época e demonstrou que o rock and roll poderia sustentar não apenas singles de enorme sucesso, mas também um LP completo. O impacto foi ainda maior porque Elvis estava simultaneamente dominando o mercado de singles: "Heartbreak Hotel", lançado em janeiro de 1956, chegou ao primeiro lugar da Billboard e tornou-se seu primeiro single a vender mais de um milhão de cópias. A combinação do sucesso do álbum, dos singles, da televisão e das apresentações ao vivo transformou Elvis em uma das maiores celebridades americanas em questão de meses. A RIAA posteriormente certificou o álbum como platina, confirmando sua importância comercial duradoura.

O legado de Elvis Presley é praticamente impossível de separar da própria história do rock and roll. O álbum registrou Elvis no momento exato em que ele deixou de ser uma promessa regional para se transformar em uma estrela nacional e, pouco depois, internacional. Décadas mais tarde, a Rolling Stone colocou o disco na sua lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, onde chegou à posição 56 nas versões de 2003 e 2012. O álbum também foi incluído no livro 1001 Albums You Must Hear Before You Die, reforçando seu reconhecimento como obra fundamental da música popular. Para os fãs, o disco representa talvez o retrato mais puro do jovem Elvis: espontâneo, provocador, enérgico e ainda profundamente ligado às tradições musicais do Sul dos Estados Unidos. Para os historiadores, ele documenta uma revolução cultural que ajudou a estabelecer o rock como a linguagem dominante da juventude. Mais de sete décadas depois, Elvis Presley continua sendo considerado um dos grandes álbuns de estreia da história da música e uma obra indispensável para compreender como o rock and roll conquistou o mundo.

Elvis Presley - Elvis Presley (1956)
Blue Suede Shoes
I'm Counting on You
I Got a Woman
One-Sided Love Affair
I Love You Because
Just Because
Tutti Frutti
Trying to Get to You
I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You)
I'll Never Let You Go (Little Darlin')
Blue Moon
Money Honey

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Elvis Presley - America The Beautiful

Elvis Presley - America The Beautiful
Cantor: Elvis Presley
Música: America The Beautiful
Compositores: Katherine Lee Bates / Samuel Augustus Ward
Álbum: Elvis in Concert
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 13 de dezembro de 1975
Produção: Felton Jarvis, Elvis Presley
Engenheiro de Som: Felton Jarvis
Local de Gravação: Las Vegas, Nevada

Músicos:
Elvis Presley (vocais), James Burton (guitarra), John Wilkinson (guitarra), Charlie Hodge (violão), Jerry Scheff (baixo), Ronnie Tutt (bateria), David Briggs (piano), The Sweet Inspirations (vocais),  J.D Sumner, The Stamps (vocais), Kathy Westmoreland e Sherril Nielsen (vocais), Joe Guercio (maestro), Joe Guercio Orquestra.

Comentários:
"America The Beautiful" é uma música tradicional, patriótica, escrita no século XIX. Dentro da discografia oficial de Elvis só chegou ao mercado através de um single que fez parte do lançamento em conjunto com o álbum "Elvis in Concert". O Lado A vinha com "My Way" e o lado B trazia "America The Beautifull". Curiosamente a faixa ao vivo não foi incluída no disco original de 1977, sendo apenas um plus para os colecionadores que compraram o compacto. Também chama a atenção o fato de que Elvis a cantou muito no bicentenário da independência dos Estados Unidos, em 1976, porém sempre sendo ignorado por sua gravadora. Só depois da morte de Elvis é que finalmente uma versão ao vivo foi incluída nesse compacto simples, sem muita promoção. Parece que a gravadora de Elvis não tinha muita intenção de usar a canção (ou hino) nos discos de Presley na época. A razão? Bom, apenas os executivos poderiam explicar essa decisão. Anos depois, em 2001, no auge da explosão de patriotismo que tomou conta dos Estados Unidos após os atentados terroristas de 11 de setembro, a música voltou a ser relançada em um novo single, dessa vez com "If I Can Dream" como lado B. A capa trazia um Elvis jovial, sorridente, com uma enorme bandeira dos Estados Unidos como pano de fundo. Demorou, levou décadas, mas finalmente a canção teve seu lugar de destaque dentro da discografia de Elvis Presley. Antes tarde do que nunca. Ele certamente teria gostado disso.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Amazing Grace

Elvis Presley - Amazing Grace
Cantor: Elvis Presley
Música: Amazing Grace
Compositor: William J. Gaither
Álbum: He Touched Me
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 15 de março de 1971
Produção: Felton Jarvis
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos:
Elvis Presley (vocal) / James Burton (guitarra) / Chip Young (guitarra) / Charlie Hodge (violão) /  Norbert Putman (baixo) / David Briggs (piano) / Joe Moscheo (piano) / Charlie McCoy (órgão, harmônica e percussão) / Jerry Carrigan (percussão e bateria) / Kenneth Buttrey (bateria) / Glen Spreen (órgão) / The Imperials, Mary & Ginger Holladay, Millie Kirkham, Junge Page, Temple Riser, Sonja Montgomery (vocais de apoio).

Comentários:
No Brasil essa tradicional música religiosa é mais associada a Elvis Presley do que nos Estados Unidos. Em seu país de origem (Inglaterra) e na América do Norte esse gospel é considerado um hino tão tradicional que todos que a gravaram ao longo das décadas são considerados apenas meros intérpretes ocasionais, com suas próprias versões e releituras. Nada mais esperado de uma música que foi composto em 1773, dentro da tradição da igreja inglesa anglicana. Nos Estados Unidos acabou sendo absorvida por diversas denominações protestantes, se tornando a partir daí numa presença constante nos cultos religiosos, principalmente em igrejas do sul. Embora tenha sido selecionado para compor o disco gospel "He Touched Me", essa canção foi gravada numa curta sessão de gravação realizada em março de 1971. Nessa mesma madrugada Elvis ainda conseguiria chegar nas versões definitivas e oficiais de três outras faixas: "The First Time Ever I Saw Your Face" (maravilhoso trabalho vocal de Elvis e seus cantores de apoio), "Early Morning Rain" (country que seria lançado no disco "Elvis Now" de 1972) e "That's What You Get For Lovin' Me" (que ficaria arquivada por muito tempo antes de chegar no mercado). O interessante é que apesar de ser uma música essencial dentro do estilo gospel, Elvis não a utilizou em suas turnês dos anos 70. Todos esperavam que ela iria se tornar frequente em seu repertório de palco, mas isso definitivamente nunca aconteceu.

Pablo Aluísio.