quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Shelley Fabares (1944 - 2026)

Shelley Fabares (1944 - 2026)
Morreu a atriz Shelley Fabares. Ela era bem querida dos fãs de Elvis Presley pois fez três filmes ao lado do cantor em seus anos de Hollywood. Seu primeiro filme com Elvis foi "Louco Por Garotas" (1965), seguido por "Minhas Três Noivas" (1966) e "O Barco do Amor" (1967). A atriz, até quase sem querer, acabou sendo a partner mais constante ao lado do Rei do Rock no período em que ele direcionou sua carreira para a atuação em filmes musicais. 

Shelley Fabares geralmente interpretava a mocinha, tipo gracinha, que de uma maneira ou outra disputava o amor do personagem de Elvis com outras mulheres, geralmente mais agressivas e mais velhas. Ela era a "Sandy" das comédias musicais de Elvis. Era a fórmula que havia se repetido por anos nos filmes do astro. Assim ela terminava o filme nos braços de seu namorado, jurando amor eterno. Um tipo de roteiro que acabou dando certo, caindo no gosto do público. 

Só não fez mais filmes ao lado de Elvis porque ele não quis mais continuar em Hollywood, encerrando sua carreira no cinema por volta do final dos anos 60. Isso entretanto não encerrou a carreira de Shelley Fabares que continuou trabalhando em filmes e séries. No total atuou em mais 92 produções, mostrando que foi de fato uma workaholic dos estúdios da Califórnia. 

Em seu trabalho na televisão chegou a ser indicada a dois prêmios Emmys (O Oscar da TV). A família informou sua morte no último dia 22 de agosto. Ela tinha 82 anos de idade. A causa da morte não foi informada. Seu funeral foi restrito aos seus familiares mais próximos. 

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - Summer Festival 72

Elvis Presley - Summer Festival 72
Mais um lançamento da FTD (Follow That Dream) enfocando a temporada de verão de Elvis em Las Vegas no ano de 1972. O CD denominado "Summer Festival 72" conta com as apresentações de Elvis realizadas no Dinner e no Midnight Show dos dia 11 e 12 de agosto daquele ano. Essa temporada em Vegas foi um pouco problemática para Elvis, logo na estréia ele se sentiu mal no palco e teve que cancelar a apresentação. Depois voltou a ter novamente problemas de saúde, como aumento de peso e sintomas de depressão, e mais uma vez procurou a solução mais rápida e perigosa, com o crescente consumo de medicamentos. Mesmo assim não conseguiu evitar de se apresentar bastante pálido e gordo, embora cantando corretamente em vários shows. Nessa apresentação do dia 11 de agosto novamente Elvis não se afasta muito de sua tradicional set list de músicas, embora procure também apresentar coisas novas. Infelizmente Elvis em pouco tempo abandonaria esse costume de apresentar canções novas em seu repertório talvez por seguir um conselho de Frank Sinatra que dizia que grandes cantores sempre deveriam fazer o mesmo show para não decepcionar seus fãs. De uma forma ou outro esse CD se torna essencial para quem quer conhecer mais sobre essa temporada e fase de Elvis.

O fato é que Presley tinha muitos problemas pessoais e profissionais por essa época. O casamento com Priscilla estava no fim, as temporadas em Las Vegas já não mais despertavam grande interesse no cantor que naquele período começou a se interessar muito mais pelos shows nas outras cidades americanas (como os realizados em Nova Iorque) como uma melhor oportunidade de conhecer novos públicos, novos desafios, enquanto que em Vegas as coisas iam ficando mais ou menos na mesma. A correria aliada a muitos shows e turnês levou Elvis a aumentar o consumo de drogas, o que acabou refletindo em problemas de saúde, cada vez mais graves. Seu aumento de peso também começou a ser notado pela imprensa, que muitas vezes ficava mais interessada nisso do que em sua música. Mesmo assim não podemos deixar de destacar alguns bons momentos nesse show como por exemplo a apresentação de "Until It's Time For You To Go" de seu novo LP na época, "Elvis Now". "For The Good Times" era outra novidade em meio a uma certa saturação de seu repertório. O bom é que o CD também traz gravações do chamado Midnight show (ou show da meia-noite) do dia 11 onde Elvis apresentou boas canções de rock como no medley "Little Sister / Get Back" (uma curiosa fusão entre um hit próprio dos anos 60 com a famosa canção dos Beatles). Já "It's Over" foi uma forma encontrada por Elvis para mostrar sua vitalidade e maturidade vocal. "Never Been To Spain", um belo blues, era outro sopro novo nos shows. Elvis a levaria inclusive para os shows no Madison Square Garden onde se tornaria um dos destaques do álbum ao vivo. Muito charme e balanço acompanham a faixa. Assim recomendo especialmente o título para os fãs de Elvis que gostem desse ano em particular. Afinal esse foi o ano do "Elvis on Tour", do "Madison Square Garden" e do "Elvis Now". Para muitos um dos períodos mais interessantes de toda a sua carreira.

Elvis Presley - FTD "Summer Festival '72" (FTD #34) 
Dinner show, August 11, 1972
Also Sprach Zarathustra
See See Rider
I Got A Woman
Until It's Time For You To Go
You Don't Have To Say You Love Me
You've Lost That Loving Feeling Polk Salad Annie
What Now My Love
Fever
Love Me
Blue Suede Shoes
One Night
All Shook Up
Teddy Bear / Don't Be Cruel
Heartbreak Hotel
Hound Dog
Love Me Tender
Suspicious Minds
Introductions
My Way
An American Trilogy
Can't Help Falling In Love 

Midnight show, August 11, 1972
Little Sister / Get Back
It's Over

Midnight show, August 12, 1972
Proud Mary
Never Been To Spain
For The Good Times
A Big Hunk O' Love
Tiger Man (opening only)

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Elvis Presley - 6363 Sunset

Elvis Presley - 6363 Sunset
Vamos dar prosseguimento nas breves análises dos CDs da coleção FTD. Esse aqui em especial pode ser qualificado como um dos melhores já lançados. Na época de seu lançamento escrevi uma extensa matéria sobre ele. De fato é material de primeira qualidade, capturando Elvis em um momento particularmente inspirado de sua carreira. Se formos pensar bem Elvis teve dois grandes picos em sua trajetória artística. O primeiro começou em 1956 e se prolongou até sua ida ao exército americano em fins dos anos 50. O segundo vai de 1969 (quando ele retorna aos estúdios em Memphis para uma sessão maravilhosa) até 1973 (com o Aloha From Hawaii que marca o auge de seu momento popstar). Pois bem, em 1972 Elvis realizou muitos concertos, fez boas temporadas em Las Vegas, gravou um longa-metragem "Elvis on Tour" e voltou aos braços de seu público. Era um momento de grande euforia. Nesse CD "FTD Elvis 6363 Sunset" temos um registro desse momento de pique e euforia. Elvis, com agenda lotada, teve que se desdobrar para dar conta de tantos compromissos. Para isso era necessário também muitos ensaios com sua banda, para que quando estivessem em turnê ou nos estúdios tudo estivesse em ordem. A seleção musical é acima da média, com Elvis cantando um repertório simplesmente fantástico, a espinha dorsal do que ele vinha apresentando de melhor naqueles anos agitados.

O CD pode ser dividido em três grandes partes. As portas se abrem com takes do álbum "Elvis" que seria lançado em 1973. Esse disco é mais conhecido nos Estados Unidos como "The Fool Album" por causa da faixa "Fool" que abria o lado A do álbum original em vinil. É uma colcha de retalhos sonora que ganhou status cult com o passar dos anos. Na segunda parte ouvimos Elvis em pleno ensaio de seus trabalhos no filme "Elvis On Tour". Material muito bom, apesar de ser em essência momentos de ensaios e até descontração do cantor com a TCB Band. A terceira e última parte é composta por takes alternativos e inéditos das gravações do disco "Elvis Today". Coisa fina. A audição assim se torna extremamente prazerosa e gratificante. Entre os destaques é bom citar as versões deslumbrantes de belas canções como "Always on My Mind" (que só faria sucesso de verdade após a morte de Elvis), "Burning Love" (o clássico roqueiro temporão de sua carreira), "Green Green Grass of Home" (uma das mais evocativas músicas nostálgicas de sua discografia) e "And I Love You So" (bela música romântica, uma de suas mais intimistas performances em estúdio). Assim, embora um pouco ultrapassado hoje em dia tendo em vista lançamentos posteriores bem mais completos, o fato é que o CD "Elvis 6363 Sunset" ainda se mantém como uma bela pedida para os fãs. Um item que não fará feio em sua coleção.

FTD Elvis 6363 Sunset - Always on My Mind (take 3) Burning Love (take 2) For the Good Times (take 3) Where Do I Go from Here? (take 6) Fool (take 1) It's a Matter of Time (alt.) See See Rider (1972/03/31 rehearsal) Until It's Time for You to Go (1972/03/31 rehearsal) A Big Hunk o' Love (1972/03/31 rehearsal) All Shook Up (1972/03/31 rehearsal) Heartbreak Hotel (1972/03/31 rehearsal) Teddy Bear (1972/03/31 rehearsal ) Don't Be Cruel (1972/03/31 rehearsal) Can't Help Falling in Love (1972/03/31 rehearsal) Green Green Grass of Home (take 2-3) Susan When She Tried (take 1-2) And I Love You So (take 1) Bringin' It Back (take 2-3) T-R-O-U-B-L-E (take 1) Shake a Hand (take 2).

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - What Now My Love

Elvis Presley - What Now My Love
CD recentemente lançado lá fora. Tem recebido resenhas bastantes positivas. E do que se trata? É um soundboard - com boa qualidade sonora - gravado nos shows da meia noite dos dias 11 e 12 de agosto de 1972. Os concertos aconteceram nas temporadas anuais de Elvis Presley em Las Vegas, a cidade do pecado. Bom registro histórico. Elvis estava muito bem nesse período, que foi próximo de dois eventos marcantes em sua carreira, o primeiro consistiu nos shows que Elvis realizou no Madison Square Garden. E não podemos esquecer também que ele faria o Aloha From Hawaii dali poucos meses. Como estava entre dois grandes momentos, não é de se admirar que estivesse tão bem no palco. Era o bom e velho Elvis, empolgado e dando o melhor de si para seu público que ia até Nevada assistir às suas apresentações ao vivo.

Inclusive é bom salientar também que foi nessa temporada de Las Vegas, já no Hilton Hotel, que ele resolveu adicionar três novas canções no seu repertório: “What Now My Love” (que dá título ao novo CD), “Fever” (velha canção do ótimo disco Elvis is Back!) e “My Way” (o clássico de Frank Sinatra que na voz de Elvis ganhou uma nova e belíssima versão que ele levaria também para o concerto no Havaí com destaque). 

Então o que basicamente temos nesse lançamento é um Elvis prestes a fazer o maior show de sua vida, que iria ser transmitido ao vivo via satélite, já testando novas canções em performances memoráveis. Não poderia haver nada melhor, não é mesmo? Se você curte Elvis nos anos 70, especialmente nessa fase, não deixe de ouvir. É um dos bons lançamentos do ano, sem sombra de dúvidas. .

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - Virginia is for Elvis Lovers

Elvis Presley - Virginia is for Elvis Lovers
Generalizando um pouco podemos dizer que esse concerto realizado na cidade de Richmond, em 10 de abril de 1972, fez parte da série de shows que foram palco para o filme "Elvis on Tour" (Elvis Triunfal, no Brasil). Elvis parecia mais centrado, mais disposto a se apresentar melhor, afinal as apresentações iriam fazer parte do filme, iriam para as salas de cinema. Então era um tanto natural esse empenho extra quando as câmeras eram ligadas. Melhorar para sair bem na foto, ou melhor dizendo, no filme. 

Curiosamente esse mesmo show está sendo lançado por dois selos diferentes no exterior. A Victrola já anunciou que lançará seu CD para breve, mas ainda sem dizer qual será o título escolhido. A Black Diamond, por outro lado, garante que esse "Virginia is for Elvis Lovers" terá maior qualidade sonora pois eles afirmam que foram direto na fonte, usando inclusive das fitas originais da época.  Na dúvida procure ouvir ambos os CDs para tirar melhor suas próprias conclusões.

Elvis Presley - Virginia is for Elvis Lovers
Also Sprach Zarathustra / See See Rider / Proud Mary / Never Been To Spain / You Gave Me A Mountain / Until It’s Time For You To Go/ Polk Salad Annie / Love Me / All Shook Up / Medley: (Let Me Be Your) Teddy Bear - Don’t Be Cruel / Heartbreak Hotel / Hound Dog / Bridge Over Troubled Water / Love Me Tender / It's Over / Suspicious Minds / Band Introductions / For The Good Times / I Can't Stop Loving You / An American Trilogy / Lawdy, Miss Clawdy (incomplete) / Funny How Time Slips Away / Can't Help Falling In Love / Closing Vamp
 

 Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Elvis Presley - A Little Less Conversation

Elvis Presley - A Little Less Conversation
Cantor: Elvis Presley
Música: A Little Less Conversation
Compositores: Strange - Davis
Álbum: Almost in Love
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 7 de março de 1968
Produção: Billy Strange
Engenheiro de Som: Chuck Britz
Local de Gravação: Western Recorders, Hollywood, California

Músicos: Elvis Presley (vocais), Joseph Gibbons (guitarra), Neil Levang (guitarra), Charles Britz (guitarra), Alvin Casey (violão), Larry Knechtal (baixo), Charles Berghofer (baixo), Hal Blaine (bateria), Gary Coleman (percussão),
Don Randi (piano), B.J. Baker, Sally Stevens, Bob Tebow, John Bahler (vocais de apoio).

Comentários:
A história dessa música é bem interessante dentro da discografia de Elvis. Ela foi originalmente gravada para fazer parte da pequena trilha sonora de "Live a Little, Love a Little". Nessa sessão Elvis gravaria apenas quatro canções, todas para o filme que nunca fez muito sucesso, não despertando muita atenção. Assim a faixa acabou sendo um Lado B de sua carreira, que poucos conheciam. Ainda foi encaixada dentro do repertório do álbum "Almost in Love" e depois disso completamente esquecida.

Os anos passaram e então o DJ Junkie XL resolveu fazer um remix em cima da música. Foi um sucesso espetacular, sendo atualmente uma das músicas mais conhecidas de Elvis, sempre tocada em festivais de música, raves e baladas eletrônicas ao redor do mundo. Elvis morreu sem jamais saber que essa gravação obscura iria se transformar em um hit mundial após seu falecimento. Voltando no tempo ainda temos outras curiosidades interessantes. Nessa sessão Elvis não contou com sua banda habitual, mas sim por um grupo musical arranjado pelo produtor Billy Strange (que também havia composto a canção). Nunca considerei uma grande gravação, nem fui particularmente fã dos arranjos originais, muito embora o remix seja mesmo contagiante. Caso raro de nova versão que ficou bem melhor do que a original de Mr. Elvis Presley.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A Little Bit of Green

Elvis Presley - A Little Bit of Green
Cantor: Elvis Presley
Música: A Little Bit of Green
Compositores: Arnold / Morrow / Martin
Álbum: Back in Memphis
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 15 de janeiro de 1969
Produção: Chips Moman, Felton Jarvis
Engenheiro de Som: Al Pachucki
Local de Gravação: American Sound, Memphis, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocais),  Elvis Presley (vocal e guitarra),  Reggie Young (guitarra), Tommy Cogbill (baixo), Mike Leech (baixo), Gene Chrisman (bateria), Bobby Emons (orgão), Bobby Wood (piano).

Comentários:
Essa é uma antiga música lançada pelo cantor country Eddy Arnold. Para quem não sabe a história de Arnold se confunde com a do próprio Elvis pois ele era da mesma região e tinha o mesmo empresário que Presley. Sim, o Coronel Parker também era o manager de Arnold. É curioso porque muito do que aprendeu em termos de negócios no mundo da música, Parker aprendeu justamente dirigindo a carreira de Eddy Arnold, um dos primeiros artistas que empresariou. Depois de um começo modesto em Memphis e Nashville sua vida mudou quando Parker lhe arranjou um acordo com uma das empresas mais poderosas dos Estados Unidos. Em 1944 conseguiu um contrato para ele com a RCA Victor, a mesma que seria a gravadora por toda a carreira de Elvis. Pois bem, deixando isso um pouco de lado vamos tecer alguns comentários sobre a música então.

Nunca achei uma grande canção e passa longe de ser um clássico dentro do repertório de Elvis. A letra novamente trata do tema sobre corações partidos. Em primeira pessoa o autor lamenta a perda da mulher amada, que agora está nos braços de outro. É o velho arrependimento que só bate quando você perde um grande amor e só se dá conta de sua importância quando ela resolve finalmente arranjar outro para tocar sua vida para frente. Assim, em termos gerais, a letra não é das mais originais e nem tampouco é tão bem escrita. Analisando bem são apenas três estrofes, nenhum deles excepcionalmente bem escrito. O refrão também não me agrada muito. Falta um pouco mais de conteúdo nessas passagens. A harmonia também não chega a surpreender. É bem gravada e executada, como tudo o que diz respeito ao material que foi gravado no American Studios (a banda que acompanhou Elvis era realmente acima da média), mas realmente novamente não impressiona. Acredito que o fato dela estar no meio de tantas obras primas ajudou a ofuscá-la ainda mais. Ela foi gravada no dia 15 de janeiro de 1969 no mesmo dia em que Elvis também gravou somente outra faixa: Gentle on My Mind. Pelo visto não foi uma das noites mais produtivas de Elvis no American.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Elvis Presley - Ain't That Loving You Baby

Elvis Presley - Ain't That Loving You Baby
Cantor: Elvis Presley
Música: Ain't That Loving You Baby
Compositores: Clyde Otis / Ivory Joe Hunter
Álbum: Elvis Golden Records vol. 4
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 10 de junho de 1958
Produção: Steve Sholes
Engenheiro de Som: Selby Coffeen
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocal e guitarra), Hank Garland (guitarra), Chet Atkins (guitarra), Bob Moore (baixo), Floyd Cramer (piano), Murrey "Buddy" Harman (bongôs e percussão), D.J. Fontana (bateria), The Jordanaires (vocais). 

Comentários:
Em 1964, em desespero de causa, a RCA Victor lançou no mercado finalmente um single de canções convencionais inéditas de Elvis Presley. Como não havia nada arquivado com força suficiente para fazer bonito nas paradas os produtores responsáveis pelos lançamentos do cantor foram até os arquivos da gravadora em Nova Iorque em busca de alguma coisa inédita de Elvis. E encontraram essa gravação de "Ain't That Loving You Baby", ainda dos anos 50 que havia sido arquivada pois o engenheiro de som havia notado algumas falhas técnicas. Ela tinha sido registrada numa das últimas sessões de gravação de Presley antes de ir para a Alemanha servir o exército americano. Pois bem, como a RCA estava desesperada o jeito foi lançar aquilo mesmo, do jeito que fosse possível. Realizaram um tratamento sonoro na música e a colocaram no mercado.

O resultado foi melhor do que o esperado. Elvis soava novamente interessante para o público e para a crítica - pena que em um registro antigo, dos tempos de roqueiro de Elvis quando ele ainda não havia se rendido ao estilo açucarado de Hollywood. Em relação ao Lado A desse single devo dizer que essa versão nunca foi a minha favorita. A acho sem ritmo e sem pique, algo que foi superado numa versão lançada bem mais tarde no álbum "Reconsider Baby" em 1985 - era um take alternativo, desconhecido, mas muito superior à versão oficial do compacto original! Poucas vezes vi tanta energia e jovialidade em gravações de Elvis como naquele take. Com uma bateria forte, compassada e feroz, a música faz qualquer um levantar da poltrona para dançar. Uma grande gravação de Elvis que sabe-se lá a razão ficou anos e anos pegando poeira nos arquivos da gravadora.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A House That Has Everything

Elvis Presley - A House That Has Everything
Cantor: Elvis Presley
Música: A House That Has Everything
Compositores: Tepper - Bennett
Álbum: Clambake
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 21 de fevereiro de 1967
Produção: Felton Jarvis, Jeff Alexander
Engenheiro de Som: Jim Malloy
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Chip Young (guitarra), Bob Moore (baixo), Charlie McCoy (guitarra, gaita), Buddy Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Hoyt Hawkins (piano), Pete Drake (steel guitar), Norm Ray (sax), Millie Kirkham (vocais), The Jordanaires (vocais).

Comentários:
A trilha sonora de "Clambake" não é das melhores de Elvis em Hollywood. Tampouco fica entre as piores. A RCA Victor inseriu algumas canções bônus em sua seleção musical que a livrou de ser meramente um disco fabricado pela indústria do cinema. Só para se ter uma ideia o clássico "Guitar Man" fez parte desse álbum. Assim não podemos dizer que "Clambake" musicalmente falando seja um desastre irrecuperável. Além disso não podemos deixar de salientar que Elvis gravou essa trilha sonora em Nashville e não na costa oeste. Trabalhando mais perto de casa ele se sentia mais inspirado e menos pressionado. O filme sim deixava a desejar. Elvis nem queria fazê-lo pois o roteiro era apenas uma variação de seus filmes de verão, filmes de praia. Porém como ele andava com dívidas pesadas nessa época para pagar resolveu se submeter. Pessoalmente ele não queria mesmo mais atuar em comédias musicais nesse estilo.

"A House That Everything" da dupla Tepper e Bennet é um dos bons momentos do disco. É uma boa balada, que se não se sobressai dentro da carreira de Elvis, pelo menos tem uma certa dignidade, sendo agradável aos ouvidos no final das contas. Particularmente gosto de muitas canções escritas por essa dupla de compositores. Claro que algumas tolices foram compostas por eles, mas o foram em número reduzido. “A House That Everything” é a primeira canção da trilha que desperta nossa atenção. Aqui Elvis utiliza uma vocalização bem típica da primeira metade dos anos 60, calma, suave e relaxante. Praticamente todas suas baladas gravadas antes de 1964 apresentam essa característica (vide a linda “There’s Always Me” do disco “Something For Everybody” de 1961, símbolo do estilo que estou citando). Como faz parte dessa trilha sonora, uma das menos conhecidas da carreira de Elvis, foi totalmente esquecida e ofuscada. Merece uma segunda audição.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A Hundred Years From Now

Elvis Presley - A Hundred Years From Now
Cantor: Elvis Presley
Música: A Hundred Years From Now
Compositores: Flatt - Scruggs
Álbum: Essential Elvis - Walk A Mile in My Shoes
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 4 de junho de 1970
Produção: Felton Jarvis
Engenheiro de Som: Al Pachucki
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocais e violão) / James Burton (guitarra) / Ronnie Tutt (bateria) / Chip Young (guitarra) / Bob Lanning (bateria) / Charlie Hodge (violão e voz) / Glen Hardin(piano) / The Imperials (vocais) / The Sweet Inspirations (vocais) / Millie Kirkham (vocais) / John Wilkinson (guitarra) / Norbert Putnam (baixo) / Jerry Carrigan (bateria) / David Briggs (piano) / Charlie McCoy (orgão e Harmônica) (Banjo) / Harold Bradley (guitarra).

Comentários:
A primeira vez que ouvi essa gravação foi no box "Walk A Mile in My Shoes". Na verdade nem é tecnicamente uma gravação oficial de Elvis Presley, nem tampouco saiu em qualquer disco seu dos anos 1970. Elvis sequer estava interessado em gravá-la para fazer parte de um álbum da RCA Victor. Foi apenas um ensaio, um momento de descontração entre ele e sua banda. Por muitos anos essa jam session ficou arquivada nos arquivos da gravadora. Só depois é que com o advento dos lançamentos de CD com material inédito foi finalmente lançada no mercado.

É uma música bem antiga, um bluegrass para se tocar com banjo que Elvis certamente conhecia quando era garoto. Para se ter uma ideia sua criação data de 1906 segundo alguns historiadores de música nos Estados Unidos. Sequer se pode afirmar com certeza quem a criou. Apenas alguns anos depois foi sendo popularizada. A performance de Elvis por sua vez foi claramente inspirada na versão da dupla de cowboys Flatt and Scruggs. Elvis inclusive tira uma onda com o estilo vocal do cantor desse grupo. James Burton também imita o mesmo solo, só que usando uma guitarra comum e não um instrumento acústico que era usado na gravação original. Em suma, é um momento divertido de Elvis e a TCB Band. Se a tivessem levado mais à sério poderia até mesmo ter entrado em um álbum como "Elvis Country", quem sabe...

Pablo Aluísio.