quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Elvis Presley - Ain't That Loving You Baby

Elvis Presley - Ain't That Loving You Baby
Cantor: Elvis Presley
Música: Ain't That Loving You Baby
Compositores: Clyde Otis / Ivory Joe Hunter
Álbum: Elvis Golden Records vol. 4
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 10 de junho de 1958
Produção: Steve Sholes
Engenheiro de Som: Selby Coffeen
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocal e guitarra), Hank Garland (guitarra), Chet Atkins (guitarra), Bob Moore (baixo), Floyd Cramer (piano), Murrey "Buddy" Harman (bongôs e percussão), D.J. Fontana (bateria), The Jordanaires (vocais). 

Comentários:
Em 1964, em desespero de causa, a RCA Victor lançou no mercado finalmente um single de canções convencionais inéditas de Elvis Presley. Como não havia nada arquivado com força suficiente para fazer bonito nas paradas os produtores responsáveis pelos lançamentos do cantor foram até os arquivos da gravadora em Nova Iorque em busca de alguma coisa inédita de Elvis. E encontraram essa gravação de "Ain't That Loving You Baby", ainda dos anos 50 que havia sido arquivada pois o engenheiro de som havia notado algumas falhas técnicas. Ela tinha sido registrada numa das últimas sessões de gravação de Presley antes de ir para a Alemanha servir o exército americano. Pois bem, como a RCA estava desesperada o jeito foi lançar aquilo mesmo, do jeito que fosse possível. Realizaram um tratamento sonoro na música e a colocaram no mercado.

O resultado foi melhor do que o esperado. Elvis soava novamente interessante para o público e para a crítica - pena que em um registro antigo, dos tempos de roqueiro de Elvis quando ele ainda não havia se rendido ao estilo açucarado de Hollywood. Em relação ao Lado A desse single devo dizer que essa versão nunca foi a minha favorita. A acho sem ritmo e sem pique, algo que foi superado numa versão lançada bem mais tarde no álbum "Reconsider Baby" em 1985 - era um take alternativo, desconhecido, mas muito superior à versão oficial do compacto original! Poucas vezes vi tanta energia e jovialidade em gravações de Elvis como naquele take. Com uma bateria forte, compassada e feroz, a música faz qualquer um levantar da poltrona para dançar. Uma grande gravação de Elvis que sabe-se lá a razão ficou anos e anos pegando poeira nos arquivos da gravadora.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A House That Has Everything

Elvis Presley - A House That Has Everything
Cantor: Elvis Presley
Música: A House That Has Everything
Compositores: Tepper - Bennett
Álbum: Clambake
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 21 de fevereiro de 1967
Produção: Felton Jarvis, Jeff Alexander
Engenheiro de Som: Jim Malloy
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Chip Young (guitarra), Bob Moore (baixo), Charlie McCoy (guitarra, gaita), Buddy Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Hoyt Hawkins (piano), Pete Drake (steel guitar), Norm Ray (sax), Millie Kirkham (vocais), The Jordanaires (vocais).

Comentários:
A trilha sonora de "Clambake" não é das melhores de Elvis em Hollywood. Tampouco fica entre as piores. A RCA Victor inseriu algumas canções bônus em sua seleção musical que a livrou de ser meramente um disco fabricado pela indústria do cinema. Só para se ter uma ideia o clássico "Guitar Man" fez parte desse álbum. Assim não podemos dizer que "Clambake" musicalmente falando seja um desastre irrecuperável. Além disso não podemos deixar de salientar que Elvis gravou essa trilha sonora em Nashville e não na costa oeste. Trabalhando mais perto de casa ele se sentia mais inspirado e menos pressionado. O filme sim deixava a desejar. Elvis nem queria fazê-lo pois o roteiro era apenas uma variação de seus filmes de verão, filmes de praia. Porém como ele andava com dívidas pesadas nessa época para pagar resolveu se submeter. Pessoalmente ele não queria mesmo mais atuar em comédias musicais nesse estilo.

"A House That Everything" da dupla Tepper e Bennet é um dos bons momentos do disco. É uma boa balada, que se não se sobressai dentro da carreira de Elvis, pelo menos tem uma certa dignidade, sendo agradável aos ouvidos no final das contas. Particularmente gosto de muitas canções escritas por essa dupla de compositores. Claro que algumas tolices foram compostas por eles, mas o foram em número reduzido. “A House That Everything” é a primeira canção da trilha que desperta nossa atenção. Aqui Elvis utiliza uma vocalização bem típica da primeira metade dos anos 60, calma, suave e relaxante. Praticamente todas suas baladas gravadas antes de 1964 apresentam essa característica (vide a linda “There’s Always Me” do disco “Something For Everybody” de 1961, símbolo do estilo que estou citando). Como faz parte dessa trilha sonora, uma das menos conhecidas da carreira de Elvis, foi totalmente esquecida e ofuscada. Merece uma segunda audição.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A Hundred Years From Now

Elvis Presley - A Hundred Years From Now
Cantor: Elvis Presley
Música: A Hundred Years From Now
Compositores: Flatt - Scruggs
Álbum: Essential Elvis - Walk A Mile in My Shoes
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 4 de junho de 1970
Produção: Felton Jarvis
Engenheiro de Som: Al Pachucki
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocais e violão) / James Burton (guitarra) / Ronnie Tutt (bateria) / Chip Young (guitarra) / Bob Lanning (bateria) / Charlie Hodge (violão e voz) / Glen Hardin(piano) / The Imperials (vocais) / The Sweet Inspirations (vocais) / Millie Kirkham (vocais) / John Wilkinson (guitarra) / Norbert Putnam (baixo) / Jerry Carrigan (bateria) / David Briggs (piano) / Charlie McCoy (orgão e Harmônica) (Banjo) / Harold Bradley (guitarra).

Comentários:
A primeira vez que ouvi essa gravação foi no box "Walk A Mile in My Shoes". Na verdade nem é tecnicamente uma gravação oficial de Elvis Presley, nem tampouco saiu em qualquer disco seu dos anos 1970. Elvis sequer estava interessado em gravá-la para fazer parte de um álbum da RCA Victor. Foi apenas um ensaio, um momento de descontração entre ele e sua banda. Por muitos anos essa jam session ficou arquivada nos arquivos da gravadora. Só depois é que com o advento dos lançamentos de CD com material inédito foi finalmente lançada no mercado.

É uma música bem antiga, um bluegrass para se tocar com banjo que Elvis certamente conhecia quando era garoto. Para se ter uma ideia sua criação data de 1906 segundo alguns historiadores de música nos Estados Unidos. Sequer se pode afirmar com certeza quem a criou. Apenas alguns anos depois foi sendo popularizada. A performance de Elvis por sua vez foi claramente inspirada na versão da dupla de cowboys Flatt and Scruggs. Elvis inclusive tira uma onda com o estilo vocal do cantor desse grupo. James Burton também imita o mesmo solo, só que usando uma guitarra comum e não um instrumento acústico que era usado na gravação original. Em suma, é um momento divertido de Elvis e a TCB Band. Se a tivessem levado mais à sério poderia até mesmo ter entrado em um álbum como "Elvis Country", quem sabe...

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Elvis Presley - After Loving You

Elvis Presley - After Loving You
Cantor: Elvis Presley
Música: After Loving You
Compositores: E. Miller - J. Lantz
Álbum: From Elvis in Memphis
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 18 de fevereiro de 1969
Produção: Chips Moman, Felton Jarvis
Engenheiro de Som: Al Pachucki
Local de Gravação: American Sound, Memphis, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocais, piano), Reggie Young (guitarra), Tommy Cogbill (baixo), Gene Chrisman (bateria), Bobby Wood (piano), Bobby Emmons (órgão).

Comentários:
Música gravada no American Studios, em 1969, quando Elvis estava determinado a melhorar a qualidade de seus discos, deixando o material de Hollywood, das trilhas sonoras, para trás de uma vez por todas. Como todos sabemos essas canções foram lançadas depois no aclamado "From Elvis in Memphis", considerado por muitos críticos como o melhor álbum de Elvis durante os conturbados anos 60. O homem estava pisando na Lua, havia uma nova década que estava para nascer e Elvis procurava por novas sonoridades, novos sons. No American ele foi acompanhado por jovens músicos, uma banda renovada que iria dar um sopro de renovação musical em sua carreira.

Em "After Loving You" Elvis resgata uma música antiga, lá dos anos 30, onde nem sequer havia uma indústria fonográfica implantada nos Estados Unidos. Tudo ainda era muito primitivo quando a canção foi criada pelo autor Eddie Miller. A inspiração para a gravação de Elvis muito provavelmente veio de uma gravação mais recente, na voz de Eddy Arnold. Elvis sabia que era uma grande canção, que merecia uma versão em sua própria interpretação. A letra romântica evoca uma pergunta do coração, onde em primeira pessoa Elvis se perguntava se ainda havia algo melhor na vida, após amar a mulher de sua vida. O que poderia existir depois disso? Por fim, uma curiosidade. Nos takes iniciais da gravação dessa canção, ainda na fase de ensaios, Elvis tocou piano. Ele de fato estava inspirado naqueles dias.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A Fool Such as I

Elvis Presley - A Fool Such as I
Cantor: Elvis Presley
Música: A Fool Such as I
Compositor: Bill Trader
Álbum: Elvis Gold Records Vol. 2
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 10 de junho de 1958
Produção: Steve Sholes
Engenheiro de Som: Selby Coffeen
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee

Músicos: Elvis Presley (vocal e guitarra), Hank Garland (guitarra), Chet Atkins (guitarra), Bob Moore (baixo), Floyd Cramer (piano), Murrey "Buddy" Harman (bongôs e percussão), D.J. Fontana (bateria), The Jordanaires (vocais).

Comentários:

A gravação original dessa música se deu em 1952 com Hank Snow, se tornando um sucesso na parada country. Depois ela foi sendo regravada por diversos outros artistas em especial Tommy Edwards e Jo Stafford pelo selo Columbia records. Elvis registrou sua versão em 1958, numa época em que sua vida se dividia entre Hollywood onde filmava seu novo filme "King Creole" e Nashville onde tentava gravar algo inédito para quando estivesse servindo o exército na Alemanha.

Essa sessão contou com um novo membro na banda de Elvis, nada menos do que o guitarrista e produtor Chet Atkins, um dos melhores instrumentistas e arranjadores de sua época. Com Atkins podemos notar uma melhora na sonoridade das gravações de Elvis, em especial nas guitarras, onde ele realmente caprichava com sua Gibson. Por isso uma das melhores coisas de se ouvir na versão de "(Now and Then There's) A Fool Such as I" na voz de Elvis Presley é o conjunto formado pelas linhas de melodia providenciadas por Atkins. Junte-se a isso um vocal inspirado de Elvis e você vai entender porque essa é uma das grandes gravações de Elvis em estúdio durante os anos 1950. Simplesmente impecável.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Elvis Presley - A Dog's Life

Elvis Presley - A Dog's Life
Cantor: Elvis Presley
Música: A Dog's Life
Compositores: Sid Wayne / Ben Weisman
Álbum: Paradise Hawaiian Style
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 27 de julho de 1965
Produção: Thorne Nogar
Engenheiro de Som: Dave Weichman
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California

Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Barney Kessel (guitarra e violão), Charlie McCoy (guitarra e violão), Ray Siegel (baixo), Keith Mitchell (baixo), D.J. Fontana (bateria), Hal Blaine (bateria), Milton Holland (percussão), Larry Muhoberac (piano), Bernal Lewis (Steel Guitar), The Jordanaires (vocais).

Comentários:
Nos anos 60 Elvis Presley trocou o rock mais visceral que ele cantava na década anterior por um som mais pop, mais leve. Em Hollywood essa mudança se tornou ainda mais clara. Era o momento de Elvis cantar um material mais de acordo com os estúdios de cinema. "No Paraíso do Havaí" é um produto 100% feito para esse objetivo. A Paramount queria repetir o grande sucesso de "Feitiço Havaiano" (Blue Hawaii, de 1961), então acabou produzindo esse filme "igual, mas diferente", na verdade um genérico do filme anterior.

Assim chegamos nessa faixa "A Dog's Life". Em uma trilha sonora que já era considerada bem fraca, com toda aquela sonoridade havaiana, essa música ainda era considerada uma das mais banais. Na cena do filme Elvis contracenava com vários cães, alguns dele mesmo. Não foi obviamente um momento marcante, nem inspirador, mas pelo menos chegou a ser divertido. Elvis sabia que ele nunca seria lembrado por músicas como "A Dog's Life", mas procurava ao menos tirar diversão de tudo o que estava acontecendo em cena. Assim encare essa faixa. É uma diversão bem anos 60, ainda que sabendo que ela não vai fazer qualquer diferença no final das contas em termos puramente musicais.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Adam and Evil

Elvis Presley - Adam and Evil
Cantor: Elvis Presley
Música: Adam and Evil
Compositores: Wise / Starr
Álbum: Spinout
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 17 de fevereiro de 1966
Produção: George Stoll
Engenheiro de Som: Dave Weichman
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California

Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Hilmer J. "Tiny" Timbrell  (guitarra), Tommy Tedesco (violão), Bob Moore (baixo), Murrey "Buddy" Harman (baixo), Murrey "Buddy" Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Homer "Boots" Randolph (sax), The Jordanaires (Backup Vocals).

Comentários:
Essa trilha sonora de "Spinout" nunca foi das minhas preferidas. Depois de 1965 as trilhas de Elvis tiveram uma queda em sua qualidade. As sessões passaram a ser feitas com mais pressa, menos capricho. Além disso as próprias composições já não eram tão boas. O material musical de uma maneira em geral havia decaído. O curioso é que em se tratando de "Spinout" sempre tive uma opinião formada, a de que o filme era melhor do que a trilha. Há bons momentos, com carrões possantes e boas sequências de corridas. Até a McLaren aproveitou para divulgar um de seus novos modelos no filme, colocando Elvis para dirigir uma dessas máquinas.

Já a trilha sonora me passa uma sensação de cansaço. Não apenas de Elvis e banda (aqui bem mesclada), mas também da própria maratona de se gravar diversos discos desse tipo em praticamente um ritmo industrial. Em relação a "Adam and Evil" não vejo maiores surpresas. Curiosamente a música que em si é simples acabou dando trabalho extra para Elvis. No total foram 29 tentativas para se chegar no take ideal! Uau! Elvis parecia mesmo desgastado com esse tipo de material.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A Cane and a High Starched Collar

Elvis Presley - A Cane and a High Starched Collar
Cantor: Elvis Presley
Música: A Cane and a High Starched Collar
Compositores: Tepper / Bennett
Álbum: Flaming Star
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 8 de agosto de 1960
Produção: Urban Thielmann
Engenheiro de Som:Thorne Nogar
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California

Músicos: Elvis Presley (vocais), Howard Roberts (violão), Hilmer J. "Tiny" Timbrell (guitarra), Michael "Meyer" Rubin (baixo), Bernie Mattinson (bateria), James Haskell (acordeão), Dudley Brooks (piano), The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (Backup Vocals).

Comentários:
Essa canção fez parte da trilha sonora do western "Estrela de Fogo" (Flaming Star, 1960). O filme é muito bom, um faroeste que não deixava nada a desejar em relação a outras produções da época. A trilha foi mínima, com poucas canções. O estúdio parecia mais empenhado em promover Elvis, o ator, do que Elvis, o músico. Assim as canções ficaram em um segundo plano. Dentro desse repertório secundário sempre curti bastante essa melodia. Ela tem uma certa inocência brejeira, com direito a uma bela sanfoninha, que sempre me cativou. Além disso é uma das raras apresentadas por Elvis em cena no filme. Curiosamente apesar de ser uma boa música ela ficou anos, diria décadas, fora de catálogo. Antes do advento do CD e da Internet que facilitaria muito a vida do fã de Elvis, essa faixa era uma verdadeira raridade. Nem sequer foi lançada no Brasil em disco na época. Era realmente coisa de colecionador. No mais é outro prazer sem culpas da fase Hollywood de Mr. Presley.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Elvis Presley - A Boy Like Me a Girl Like You

Elvis Presley - A Boy Like Me a Girl Like You
Cantor: Elvis Presley
Música: A Boy Like Me a Girl Like You
Compositores: Tepper / Bennett
Álbum: Girls, Girls, Girls
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 27 de março de 1962
Produção: Joseph Lilley
Engenheiro de Som: Thorne Nogar
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California

Músicos: Elvis Presley (vocal), Scotty Moore (guitarra), Hilmer J. "Tiny" Timbrell (guitarra), Barney Kessel (guitarra e violão), Ray Siegel (baixo), Neal Matthews (guitarra), D.J. Fontana (bateria), Hal Blaine (bateria), Bernie Mattinson (percussão), Homer "Boots" Randolph (sax), Dudley Brooks (piano), The Jordanaires (vocais), The Mellow Men (vocais), Norma Zimmer (vocais), The Amigos (vocais).

Comentários:
Gosto dessa balada romântica. Essa trilha sonora do filme "Garotas, Garotas e mais Garotas' tem seus bons momentos. É um conjunto de boas canções, embora nenhuma delas seja uma obra prima dentro da discografia de Elvis. A letra dessa  "A Boy Like Me a Girl Like You" é bem no estilo romance adolescente que se espalhava pelas trilhas de Elvis em Hollywood durante os anos 60.

De bom mesmo temos a melodia, sempre terna e tranquila. O produtor Joseph Lilley quis trazer uma sonoridade mais de acordo com os boleros caribenhos, isso apesar do filme se passar no Havaí. Por falar nas ilhas americanas no Pacífico, é interessante notar que os compositores desse disco fugiram do som havaiano que todos tinham ouvido na trilha de "Blue Hawaii". Apesar do sucesso de vendas - o LP foi um dos mais vendidos da carreira de Elvis - a RCA acreditava que o público não estaria disposto a comprar dois discos de Elvis com o mesmo tipo de som. 

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - A Big Hunk o' Love

Elvis Presley -  A Big Hunk o' Love
Cantor: Elvis Presley
Música: A Big Hunk o' Love
Compositores: Aaron Schroeder / Sid Wyche
Álbum: 50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong - Elvis' Golden Records Vol.2
Selo: RCA Victor
Data de Lançamento: 3 de novembro de 1959
Produção: Steve Sholes
Local de Gravação: RCA Studios, Nashville

Músicos: Elvis Presley (vocal e guitarra) / Chet Atkins (guitarra) / Hank Garland (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Buddy Harmon (bongôs) / The Jordanaires (vocais).

Comentários:
Rock gravado por Elvis nas últimas sessões realizadas antes dele ir embora para a Alemanha, onde serviu o exército americano até 1960. O Coronel Parker queria que Elvis gravasse várias faixas, para que fossem sendo lançadas periodicamente, em singles, enquanto ele estivesse longe na Europa. Depois esses mesmos compactos foram reunidos nesse álbum intitulado "50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong - Elvis' Golden Records Vol.2". Coisas que as gravadoras faziam na época.

A música é um dos grandes clássicos da carreira de Elvis Presley. Um rock memorável que inclusive foi reutilizado por ele duas décadas depois em seus concertos ao vivo, já na década de 1970. Caso tenha interesse em ouvir essa mesma canção em sua versão "Live" procure pelo disco duplo "Aloha From Hawaii" que você terá uma ideia na diferença entre as versões - a de estúdio dos anos 50 e a ao vivo dos anos 70. Em minha opinião ambas são excelentes, isso apesar de não gostar muito dos arranjos de metais que foram incorporados nas versões dos discos ao vivo.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Elvis Presley - Separate Ways / Always on My Mind

Separate Ways / Always on My Mind 
Outro single de sucesso da carreira de Elvis, outro que fez parte dos trabalhos do filme "Elvis On Tour". Hoje em dia as pessoas ficam surpresas pelo fato de que o grande hit "Always on My Mind" ter sido lançado como lado B desse compacto. Bom, temos que contextualizar historicamente a questão. Na verdade "Always on My Mind" só iria se tornar esse sucesso todo que conhecemos nos anos 80. Até então a faixa era considerada mesmo um autêntico Lado B de Elvis em sua carreira. Só para se ter uma idéia essa música não foi lançada no Brasil nos anos 70 e nem tempouco virou um sucesso comercial. Pelo contrário, foi completamente ignorada por anos e anos. Só depois, uma década depois, conseguiu finalmente se destacar, virando aí sim um grande sucesso na voz de Elvis Presley. Hoje em dia é uma de suas gravações mais conhecidas.

Em 1972, ano em que esse single foi lançado, a música de trabalho era mesmo "Separate Ways" que eu considero uma bonita balada. Em minha visão a música foi gravada por Elvis por motivos bem óbvios. Ele estava se separando de sua esposa Priscilla, em um divórcio que iria ser bem dolorido para o casal. Assim era um tanto óbvio que Elvis iria se identificar com a letra. Bem gravada, com Elvis empenhado nos vocais, a música nunca chegou a ser um grande hit. Curiosamente seria aproveitada depois novamente pela RCA que iria criar um álbum com seu nome. Assim como havia com o single "Burning Love" a RCA aproveitaria as duas canções do single para abrir os respectivos lados A e B, recheando o resto do disco com gravações B de seus filmes em Hollywood.

Pablo Aluísio.

Informações Adicionais:

Always on My Mind – Elvis Presley
Lançado em 31 de outubro de 1972, "Always on My Mind" tornou-se uma das interpretações mais emocionantes da carreira de Elvis Presley, embora não tenha sido originalmente composta para ele. Escrita por Wayne Carson, Johnny Christopher e Mark James, a canção já havia sido gravada por outros artistas naquele mesmo ano, mas foi a interpretação de Elvis que lhe deu projeção internacional. A gravação ocorreu em março de 1972, durante as lendárias sessões no estúdio RCA em Hollywood, realizadas logo após a separação do cantor de sua esposa, Priscilla Presley. Esse contexto pessoal conferiu uma intensidade emocional única à interpretação, fazendo com que muitos ouvintes associassem imediatamente a música ao fim do casamento do Rei do Rock. Lançada como lado B do single "Separate Ways", a canção rapidamente conquistou espaço nas rádios por mérito próprio. Sua melodia delicada, combinada com a voz madura e carregada de sentimento de Elvis, transformou "Always on My Mind" em uma das baladas mais marcantes de toda a sua discografia. Com o passar das décadas, ela deixou de ser apenas uma gravação de sucesso para se tornar um dos maiores símbolos da capacidade interpretativa do artista.

A recepção crítica à interpretação de Elvis foi extremamente positiva e muitos especialistas destacaram que ele conseguiu transmitir um sentimento de arrependimento e vulnerabilidade raramente ouvido em gravações anteriores de sua carreira. A revista Billboard elogiou a força emocional da interpretação e observou que poucos cantores conseguiam transformar uma simples canção romântica em um relato tão convincente de perda e reflexão. A Cash Box classificou o single como uma das melhores gravações produzidas por Elvis nos anos 1970, ressaltando o equilíbrio entre o arranjo orquestral e a interpretação vocal. Décadas mais tarde, revistas como Rolling Stone passaram a citar "Always on My Mind" entre as apresentações vocais mais memoráveis de Elvis Presley. Diversos críticos observaram que sua voz apresentava um tom mais grave e melancólico, refletindo a maturidade artística alcançada naquele período. Muitos jornalistas musicais também apontaram que a sinceridade transmitida pela interpretação fez com que a música ultrapassasse o gênero country-pop, tornando-se um clássico da música popular internacional.

Comercialmente, "Always on My Mind" obteve excelente desempenho nas paradas musicais. Embora inicialmente tenha sido lançada como lado B, a popularidade da música levou muitas emissoras de rádio a executá-la com frequência superior ao lado principal do compacto. O single alcançou posições expressivas nas paradas da Billboard, especialmente nas categorias Adult Contemporary e Country, demonstrando a versatilidade artística de Elvis naquele período. A gravação também conquistou sucesso em diversos países, sendo posteriormente incluída em inúmeras coletâneas oficiais do cantor. Após a morte de Elvis, em 1977, a canção voltou às paradas diversas vezes graças aos relançamentos de sua obra. O público passou a enxergar "Always on My Mind" como uma das músicas que melhor representavam a fase mais emocional e introspectiva do artista. Sua popularidade permaneceu constante ao longo das décadas, consolidando-se como uma das faixas mais executadas entre todas as gravações de Elvis Presley.

O legado de "Always on My Mind" tornou-se ainda maior graças às inúmeras regravações realizadas por artistas de diferentes estilos musicais. A mais famosa delas foi a de Willie Nelson, lançada em 1982, que recebeu vários prêmios e apresentou a composição a uma nova geração de ouvintes. No mesmo ano, o grupo Pet Shop Boys transformou a música em um enorme sucesso mundial ao adaptá-la para o estilo synth-pop. Apesar dessas versões extremamente populares, muitos críticos continuam considerando a gravação de Elvis como a interpretação definitiva da composição. A emoção presente em sua voz permanece como referência para cantores que desejam interpretar baladas românticas com autenticidade. A música também aparece frequentemente em listas das maiores canções de amor de todos os tempos e continua presente em trilhas sonoras, programas de televisão e documentários dedicados ao legado do Rei do Rock. Para muitos admiradores, trata-se de uma das apresentações mais sinceras de toda a carreira de Elvis Presley.

Mais de cinco décadas após seu lançamento, "Always on My Mind" permanece como um dos momentos mais emocionantes da história da música popular. Sua combinação de letra sensível, melodia inesquecível e interpretação profundamente humana fez da canção um clássico que atravessa gerações sem perder sua força. O single representa uma fase em que Elvis Presley demonstrava enorme maturidade artística e emocional, revelando nuances vocais que impressionam até os dias atuais. A música continua sendo presença constante em coletâneas, rádios especializadas e plataformas de streaming, conquistando novos ouvintes a cada ano. Também é frequentemente lembrada em documentários e biografias como uma das gravações que melhor sintetizam o talento interpretativo do cantor. Para inúmeros especialistas, "Always on My Mind" é um exemplo perfeito de como um grande intérprete pode transformar uma excelente composição em uma obra-prima definitiva. Sua influência permanece viva tanto na música country quanto no pop e no rock, confirmando o lugar de Elvis Presley entre os maiores intérpretes da história da música mundial.

Separate Ways – Elvis Presley
Lançada em 31 de outubro de 1972, "Separate Ways" é uma das canções mais pessoais e comoventes da carreira de Elvis Presley. Escrita por Richard Mainegra e Red West, amigo próximo de Elvis e integrante de seu círculo de confiança, a música nasceu em um momento particularmente delicado da vida do cantor, logo após a separação de sua esposa, Priscilla Presley. Gravada em março de 1972 nos estúdios da RCA em Hollywood, a composição aborda o sofrimento de um casal que precisa seguir caminhos diferentes enquanto tenta preservar o bem-estar do filho. A temática refletia de forma impressionante a situação vivida por Elvis naquele período, tornando a interpretação ainda mais autêntica. Sua voz transmite tristeza, resignação e esperança ao mesmo tempo, características que fizeram da gravação uma das mais emocionantes de sua fase dos anos 1970. Lançada como lado A do compacto que trazia "Always on My Mind" no lado B, a música conquistou imediatamente a atenção dos fãs pela sinceridade de sua mensagem. Com um arranjo discreto e elegante, "Separate Ways" destacou a capacidade de Elvis de interpretar canções profundamente emocionais sem recorrer a exageros vocais.

A crítica especializada recebeu "Separate Ways" de maneira bastante favorável, destacando principalmente o aspecto autobiográfico percebido pelo público. A revista Billboard elogiou a interpretação sensível de Elvis e afirmou que sua voz transmitia uma emoção rara, capaz de tornar a narrativa da música extremamente convincente. A Cash Box também ressaltou a força da composição e a qualidade da produção musical, observando que o cantor alcançava um dos momentos mais sinceros de sua carreira. Diversos jornalistas musicais notaram que a experiência pessoal vivida por Elvis conferia uma intensidade incomum à gravação. Muitos críticos apontaram que, embora fosse conhecida como uma balada country-pop, a música possuía profundidade suficiente para dialogar com públicos de diferentes estilos musicais. Com o passar dos anos, estudiosos da obra de Elvis passaram a considerar "Separate Ways" uma das gravações mais importantes de seu repertório por representar um raro momento em que vida pessoal e expressão artística se fundiram de maneira tão evidente.

No aspecto comercial, "Separate Ways" apresentou desempenho positivo nas paradas musicais norte-americanas e internacionais. O compacto alcançou boas posições nas listas da Billboard, especialmente nas categorias voltadas ao público adulto e country, demonstrando a ampla aceitação da música. Entretanto, ao longo do tempo, a canção acabou dividindo a atenção do público com "Always on My Mind", que originalmente ocupava o lado B do mesmo single e se transformaria em um sucesso ainda maior. Apesar disso, "Separate Ways" jamais perdeu sua importância dentro da discografia de Elvis Presley. A faixa passou a integrar diversas coletâneas oficiais e continua sendo lembrada como uma das melhores gravações produzidas pelo cantor durante a década de 1970. Sua execução frequente em programas especiais, documentários e álbuns comemorativos demonstra que ela permanece muito valorizada tanto pelos fãs quanto pelos pesquisadores da carreira de Elvis. A música também ganhou reconhecimento internacional pela honestidade de sua mensagem e pela excelência da interpretação vocal.

Ao longo das décadas, "Separate Ways" consolidou-se como uma das canções que melhor representam a fase mais madura e emocional de Elvis Presley. Diferentemente de seus grandes sucessos do rock dos anos 1950, esta gravação evidencia um artista experiente, capaz de transmitir sentimentos complexos apenas por meio da interpretação. Muitos biógrafos observam que a música funciona quase como um retrato musical do período mais difícil da vida pessoal de Elvis, especialmente em relação ao fim de seu casamento e à preocupação com o futuro de sua família. O público costuma destacar a sinceridade presente em cada verso, enquanto especialistas apontam que a simplicidade do arranjo permite que a voz do cantor permaneça como elemento central da obra. Essa combinação transformou "Separate Ways" em uma das baladas mais respeitadas de seu catálogo, sendo frequentemente citada entre suas interpretações mais emocionantes. Mesmo sem alcançar o mesmo nível de popularidade de outros sucessos, sua relevância artística permanece incontestável.

Mais de cinquenta anos após seu lançamento, "Separate Ways" continua emocionando ouvintes em todo o mundo e ocupa um lugar especial entre as gravações mais marcantes de Elvis Presley. A música representa um momento em que o artista utilizou sua própria experiência de vida para dar ainda mais autenticidade à interpretação, criando uma conexão profunda com o público. Sua letra sobre separação, responsabilidade familiar e esperança diante das dificuldades permanece atual e universal, permitindo que diferentes gerações se identifiquem com sua mensagem. A interpretação de Elvis continua sendo considerada a versão definitiva da composição, graças à combinação de técnica vocal, sensibilidade e emoção genuína. Por essas razões, "Separate Ways" permanece como uma das joias menos comerciais, porém mais admiradas, de toda a carreira do Rei do Rock, reafirmando a extraordinária capacidade de Elvis Presley de transformar sentimentos pessoais em arte de alcance universal.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Elvis Presley - Elvis On Tour - Parte 2

Elvis On Tour - Parte 2
Sobre o filme o diretor ainda considerou: "Era muito material filmado para um filme de no máximo 90 minutos. Meu primeiro copião tinha 4 horas! Uma pena porque muito material rico foi cortado mesmo! Pegamos cenas incríveis de Elvis mas que não aproveitamos porque não havia espaço na metragem. A aparência física de Elvis também nos deu muito trabalho. Em um show ele aparecia jovem, bonito, bronzeado e esbelto, mas no dia seguinte ele se apresentava gordo, pálido, suado e com a aparência nada saudável. Fiquei perplexo em acompanhar tamanha mudança física em tão pouco espaço de tempo. Era uma situação de altos e baixos, ao limite. Mas tirando isso, essa experiência atrás das câmeras foi muito produtiva para o meu trabalho de diretor. E depois foi muito instrutivo participar de um projeto desses. Posso dizer com certeza que todos os documentários de shows que foram lançados depois de Standing Room Only – esse era o seu nome inicial, do qual gosto muito – beberam de sua fonte. Basta dar uma olhada nos projetos dos Rolling Stones e do Led Zeppelin. Sem dúvida nos copiaram!"

Quando lançado o filme foi muito bem elogiado pela crítica americana e muito disso se deu em decorrência de seu visual inovador e dinâmico. A revista Rolling Stone não poupou elogios e afirmou que "Finalmente havia sido lançado o primeiro filme de Elvis Presley". O coronel Parker já estava por essa época em negociações com a TV para a realização de um grande especial com Elvis, que iria ser transmitido via satélite para o mundo. Por isso pressionou os produtores para lançarem "Elvis On Tour" logo, pois caso contrário o filme iria acabar se transformando em concorrência para o especial de TV.

O pior aconteceu com a trilha sonora do filme. Parker simplesmente resolveu cancelar seu lançamento, pois ele estava mesmo apostando em dois outros projetos de discos gravados ao vivo – um no Madison Square Garden e outro do especial via satélite – e por essa razão se tornava inviável o lançamento de mais um disco ao vivo. Três discos iguais, com apresentações ao vivo de Elvis, seriam demais para o mercado! Mas uma coisa é certa: todo esse trabalho acabou valendo muito a pena. Quando foram anunciados os nomes dos filmes que iriam concorrer ao Globo de Ouro - o segundo mais prestigiado prêmio da indústria cinematográfica dos Estados Unidos, atrás apenas do Oscar - "Elvis On Tour" estava presente na lista, disputando na categoria de "melhor documentário do ano".

Elvis, bastante nervoso, acompanhou a noite de premiação de sua suíte no Las Vegas Hilton. Quando o mestre de cerimônias finalmente leu o nome do ganhador de melhor documentário do ano de 1972 – "Elvis On Tour" de Pierre Adidge e Bob Abel – Elvis deu um pulo da poltrona e simplesmente explodiu de felicidade! Não havia espaço dentro da suíte para tamanha comemoração por parte de Elvis e dos caras da Máfia de Memphis! O Rei também não deixou barato e nessa mesma noite deu uma das maiores festas que Las Vegas já presenciou! Todos correram para cumprimentá-lo e lhes dar os parabéns. Elvis não se conteve de tanta alegria e entre abraços, lágrimas e risos anunciou com muito orgulho que finalmente havia vencido o Globo de Ouro. Era a primeira vez que um filme de Elvis Presley ganhava um prêmio dessa importância. Foi uma das maiores glórias de sua já tão gloriosa carreira. Elvis estava mais do que nunca... Triunfal!

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Elvis On Tour - Parte 1

Elvis On Tour - Parte 1
No verão de 1972 Elvis foi informado pelo coronel Parker que a MGM estava interessada em filmar um documentário que mostrasse suas concorridas turnês pelas cidades dos Estados Unidos. A direção seria entregue a um dos maiores documentaristas em atividade e o aclamado diretor de cinema Martin Scorsese iria coordenar parte dos trabalhos de edição e montagem. Em Las Vegas, nesse mesmo mês, Elvis se encontrou pessoalmente com os produtores Pierre Adidge e Bob Abel. A conversa foi muito franca, tanto do lado de Elvis como dos produtores que lhe disseram abertamente: "Depois do sucesso do filme Woodstock entendemos Ter chegado o momento de filmar um documentário mostrando a origem de tudo isso, desse movimento social: você! Não gostamos de That's The Way It Is e seus filmes dos anos 60 foram tão ruins que ficamos até surpresos em como a MGM conseguiu comercializá-los. Apreciamos seu trabalho atual, mas preferimos as músicas que você cantava nos anos 50" Elvis, por sua vez, disse que não se sentiu muito à vontade nos estúdios da MGM durante as gravações de "That's The Way It Is" por causa das enormes câmeras de cinema que foram instaladas durante as filmagens, atrapalhando o movimento e a espontaneidade dele e do seu grupo de apoio. A conversa se prolongou e foi muito produtiva, os realizadores prometeram a Elvis que ele seria filmado por câmeras especiais, do tipo portátil e que seu raio de ação não seria limitado por falta de espaço como no caso de "That's The Way It Is". Pierre Adidge disse a Elvis, com seu forte sotaque francês, que esse filme seria produzido com a utilização do que havia de mais moderno em termos de edição de filmagem.

Tudo seria de primeira linha. Elvis deveria se mostrar de forma autêntica, agir de maneira habitual e espontânea, e não se importar com a equipe de filmagem que iria acompanhá-lo para todos os lugares. A intenção era filmar Elvis não só no palco, mas também nos camarins, no contato com os fãs, interagindo com os músicos, sem roteiros ou scripts pré determinados, tudo o que se queria captar era a verdadeira essência do mito Elvis Presley. Para tanto a equipe da MGM já começaria a gravar algumas cenas como teste nos seus próximos shows e iria acompanhá-lo nos estúdios da RCA em sua próxima sessão de gravação onde ele iria registrar novas músicas - entre elas uma tal de "Always On My Mind" e outra de um novo compositor, uma canção que Elvis tinha ouvido e gostado muito chamada "Burning Love"! A parte da direção musical ficaria inteiramente sob controle de Elvis e de seu produtor Felton Jarvis, sem intervenção do pessoal da MGM. Três dias depois Elvis se reuniu com a TCB Band e os avisou que sua próxima turnê seria filmada para o cinema. Elvis resolveu providenciar uma mudança no repertório com a introdução de novas canções nos shows. Trabalho duro pela frente!. Enquanto a RCA lançava o single "American Trilogy" - com "The First Time Ever I Saw Your Face" no lado B - Elvis começava sua turnê no leste do país, com a MGM gravando tudo o que acontecia nessa primeira rodada de shows. Elvis foi filmado dentro do avião, antes dos shows, conversando com fãs, enfim, todo o delírio que acontecia ao redor de uma turnê do rei do rock foi registrado pelo pessoal do estúdio.

Mais de 250 pessoas da equipe de filmagem acompanharam Elvis e banda nesses quinze shows realizados em várias cidades, como Buffalo, Indianapolis, Detroit, Dayton, Hampton Roads, Knoxville, Charlotte, Macon e Jacksonville. Segundo alguns membros da equipe que participaram do time da MGM mais de 40 horas de material foram filmados para "Standing Room Only" – o nome original do filme, depois mudado para "Elvis On Tour" (Elvis Triunfal no Brasil) – mas que nunca foram mostrados ao público. Shows inteiros foram filmados e não aproveitados, ficando no chão da sala de edição de Martin Scorsese. Esse precioso material pode um dia ser lançado, mas atualmente jaz nos arquivos dos estúdios MGM em Hollywood. Sem dúvida muita coisa foi gravada, mas a principal apresentação de Elvis nessa turnê ficou de fora!!! Talvez o pior erro cometido pelos produtores de "Elvis On Tour" foi não Ter filmado os shows de Elvis no Madison Square Garden em Nova Iorque. Até hoje a MGM não consegue dar uma resposta satisfatória por ter deixado passar essa apresentação – uma das mais importantes da carreira de Elvis – em branco. Como é que cometeram uma bobeada dessas? Durante a coletiva à imprensa em NY os jornalistas perguntaram a Elvis e ao Coronel porque não iriam ser filmados seus shows no MSQ? Os dois saíram pela tangente e não souberam responder a pergunta!!! – até mesmo porque essa era uma decisão da Metro e não de Elvis e nem do Coronel Tom Parker. Ninguém sabe ao certo porque essa infeliz decisão de não filmar em Nova Iorque foi tomada.

A última coisa a ser gravada para esse documentário foi uma entrevista particular que Elvis deu nos estúdios da MGM para os realizadores da película. A intenção era usar esses trechos falados entre as imagens com cenas dos shows, mas essa ideia foi abandonada depois. Essa entrevista que continua em grande parte inédita até hoje, teve mais de duas horas de duração e Elvis falou sobre tudo: a origem de sua música, seus ídolos de infância, sobre sua vida pessoal etc. Desse rico material só foi aproveitado um pequeno trecho em áudio, de alguns segundos, que foi utilizado durante as cenas de Elvis na TV americana nos anos 50. Muitos anos depois de seu lançamento, Martin Scorsese durante entrevista à revista Premiere, deu seu depoimento sobre sua participação em Elvis On Tour: "Standing Room Only foi um documentário que participei nos anos 70. Esse projeto foi filmado durante vários shows do cantor Elvis Presley pelos Estados Unidos afora. Ele acabou se tornando um grande exercício de cinema para mim porque o considero de certa forma um predecessor da linguagem dos vídeo clips atuais, da linguagem moderna da MTV. Essa edição foi muito dinâmica, quisemos mostrar um ritmo alucinante onde tudo acontecia ao mesmo tempo agora. Havia shows de Elvis em que colocávamos 12 câmeras rodando de forma simultânea, tudo focado nele e na banda, de todos os ângulos possíveis. Claro que esse vasto material se transformou num inferno na sala de montagem! No final porém acho que tudo ficou muito bom. Fiquei realmente satisfeito com o filme".

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Elvis Presley em 1972

Elvis Presley em 1972
O ano de 1972 foi um dos mais importantes e movimentados da carreira de Elvis Presley. Aos 37 anos de idade, o cantor vivia uma fase de grande popularidade após seu retorno triunfal aos palcos no final da década de 1960. Embora enfrentasse problemas pessoais e de saúde que se tornariam mais evidentes nos anos seguintes, Elvis continuava sendo uma das maiores atrações do mundo do entretenimento. Em 1972, ele realizou diversas apresentações com enorme sucesso de público, especialmente em Las Vegas e em turnês pelos Estados Unidos. Sua imagem havia mudado bastante em relação aos tempos de juventude: os cabelos estavam mais longos, as costeletas mais marcantes e os famosos macacões ornamentados se tornaram sua marca registrada. Mesmo assim, seu carisma e sua poderosa presença de palco continuavam impressionando fãs e críticos.

Um dos momentos mais marcantes daquele ano foi a série de apresentações filmadas para o documentário musical Elvis on Tour. A produção acompanhou Elvis durante uma turnê pelos Estados Unidos, registrando bastidores, ensaios e apresentações ao vivo. O filme mostrou um artista experiente, seguro de seu talento e ainda capaz de provocar enorme entusiasmo nas plateias. Lançado no mesmo ano, o documentário recebeu elogios da crítica e conquistou o Globo de Ouro de Melhor Documentário. As imagens registradas revelam um Elvis em plena forma artística, interpretando clássicos de seu repertório e demonstrando a energia que o transformou em uma lenda da música popular. O filme permanece até hoje como um importante retrato de sua carreira nos anos 1970.

No campo musical, Elvis continuou lançando gravações de sucesso. Em junho de 1972 foi lançado o álbum ao vivo As Recorded at Madison Square Garden, gravado durante suas históricas apresentações em Nova York. Esses shows foram particularmente importantes porque marcaram sua primeira série de concertos na cidade em muitos anos. O álbum alcançou excelentes resultados comerciais e demonstrou que Elvis permanecia extremamente popular em todo o país. Seu repertório incluía sucessos antigos como "Love Me Tender", "Heartbreak Hotel" e "Hound Dog", além de interpretações mais recentes. A combinação de rock, gospel, country e música pop mostrava a versatilidade artística que sempre caracterizou sua carreira.

A vida pessoal de Elvis também passou por mudanças significativas em 1972. Naquele ano foi oficializado seu divórcio de Priscilla Presley, encerrando um casamento iniciado em 1967. Embora a separação já estivesse em andamento havia algum tempo, o processo foi acompanhado de grande atenção da imprensa. Apesar do fim da relação, os dois mantiveram um relacionamento amistoso, especialmente por causa da filha do casal, Lisa Marie Presley. Enquanto lidava com questões pessoais, Elvis continuava se dedicando intensamente às apresentações e gravações, mantendo uma agenda extremamente exigente. Essa combinação de sucesso profissional e desafios pessoais tornou 1972 um ano particularmente importante em sua trajetória.

Hoje, os historiadores da música consideram 1972 um dos últimos grandes anos da fase clássica de Elvis Presley. Embora ele ainda alcançasse importantes conquistas nos anos seguintes, muitos fãs enxergam esse período como o auge de sua maturidade artística nos palcos. Os registros audiovisuais da época mostram um intérprete experiente, dono de uma voz poderosa e de uma conexão extraordinária com o público. Seus shows lotados, o sucesso de "Elvis on Tour" e as apresentações no Madison Square Garden confirmaram que ele continuava sendo o "Rei do Rock". O Elvis de 1972 representava a união entre o jovem revolucionário dos anos 1950 e o artista consagrado que dominava os grandes palcos do mundo. Por isso, esse ano ocupa um lugar especial na história de sua carreira e na memória de milhões de admiradores ao redor do planeta.

sábado, 20 de junho de 2026

Elvis Presley - Elvis Sunset Boulevard

Elvis Presley - Elvis Sunset Boulevard
Eu sempre gostei muito dessa fase da carreira de Elvis. Algumas vezes gosto de chamar de a última grande fase antes da queda. Isso se justifica. Elvis, por volta de 1972, estava sofrendo o grande golpe de sua vida, que foi a traição da esposa. Ainda assim fazia grandes shows e tinha excelentes momentos em estúdio. Ele tinha começado a engordar pela primeira vez, isso é verdade, mas ainda era o Elvis que vinha em grande pique desde 1968. E não podemos ignorar que foi justamente nessa época que ele gravou grandes músicas como "Burning Love" e "Always on My Mind". Então, era Elvis, ainda surfando os picos da glória, mas prestes a cair no abismo!

Esse novo lançamento do selo Sony capta grandes momentos dessa fase de Elvis. Reúne basicamente farto material gravado por Elvis em estúdios de Hollywood. São alguns dos grandes sucessos do cantor nos anos 70. Até aí tudo bem, mas parece que a Sony exagerou um pouco, colocando canções que não tinham nada a ver com esse tema, então soa mesmo como um amontoado de gravações reunidos pela Sony para encontrar o consumidor que esteja em busca de material de Elvis.  Com os problemas enfrentados pela comercialiazação de mídia física até entendo um pouco esse tipo de situação, mas sempre fico com um pé atrás quando há um desvio de foco no quesito conteúdo. Entre as faixas nenhuma grande novidade, apenas melhoramento sonoro de algumas gravações que conhecemos bem, inclusive versões oficiais. Então é isso. Poucas ovidades, exageros com excessos de gravações, falta de foco nas faixas, tudo junto e misturado nesse lançamento. 

Elvis Presley - Elvis Sunset Boulevard
CD-1:
01 Burning Love
02 Always On My Mind
03 Where Do I Go From Here
04 Separate Ways
05 For The Good Times
06 It's A Matter Of Time
07 Fool
08 T-R-O-U-B-L-E
09 And I Love You So
10 Susan When She Tried
11 Woman Without Love
12 Shake A Hand
13 Pieces Of My Life
14 Fairytale
15 I Can Help (alt. overdub)
16 Bringin' It Back
17 Green, Green Grass Of Home

CD-2:
01 Separate Ways (25)
02 For The Good Times (3)
03 Where Do I Go From Here (2)
04 Burning Love (2)
05 Fool (1)
06 Always On My Mind (2)
07 It's A Matter Of Time (1, 2, 3)
08 It's A Matter Of Time (4)
09 Fairytale (2)
10 Green, Green Grass Of Home (2, 3)
11 And I Love You So (2)
12 Susan When She Tried (1, 2)
13 T-R-O-U-B-L-E (1)
14 Tiger Man
15 Shake A Hand (2)
16 Bringin It Back (2, 3)
17 Pieces Of My Life (2, 3)

CD-3:
01 That's All Right
02 I Got A Woman
03 I Got A Woman
04 The Wonder Of You
05 I've Lost You
06 The Next Step Is Love
07 Stranger In The Crowd
08 You've Lost That Loving Feeling
09 Something
10 Don't Cry Daddy
11 Don't Cry Daddy
12 You Don't Have To Say You Love Me
13 Polk Salad Annie
14 Bridge Over Troubled Water
15 I Can't Stop Loving You
16 Just Pretend
17 Sweet Caroline
18 Love Me Tender
19 Words
20 Suspicious Minds
21 I Just Can't Help Believing
22 I Just Can't Help Believing

CD-4:
01 Tomorrow Never Comes
02 Mary In The Morning
03 Twenty Days And Twenty Nights
04 You've Lost That Loving Feeling
05 Just Can't Help Believing
06 Heart Of Rome
07 Heart Of Rome
08 Memories
09 Johnny B. Goode
10 Make The World Go Away
11 Stranger In My Own Home Town
12 I Washed My Hands In Muddy Water
13 If You Love Me
14 If You Love Me
15 Promised Land
16 Promised Land
17 Down In The Alley
18 Down In The Alley

CD-5:
01 It's Midnight
02 It's Midnight
03 Your Loves Been A Long Time Coming
04 Good Time Charlies Got The Blues
05 Softly As I Leave You
06 Softly As I Leave You
07 I'm Leavin
08 The First Time Ever I Saw Your Face
09 Proud Mary
10 If You Talk In Your Sleep
11 If You Love Me
12 If You Love Me
13 The Twelfth Of Never
14 Faded Love
15 Just Pretend
 
Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - Hillcrest Blues

Elvis Presley - Hillcrest Blues
O selo Madison lançou alguns dos CDs mais interessantes de Elvis dentro do mercado dos bootlegs. Esse aqui traz parte das sessões que Elvis realizou entre os dias 27 a 29 de março de 1972 no RCA Studio C em Hollywood, na Califórnia. Essa gravação ficou bem conhecida dos fãs porque foi a única, em toda a carreira do cantor, que foi filmada pelas câmeras da MGM que na ocasião estavam registrando cenas para o longa "Elvis On Tour". A intenção foi tentar captar as tentativas de Elvis em gravar seu novo single, que curiosamente deveria chegar nas lojas justamente durante o lançamento do filme. Em estúdio Elvis acabou gravando dois de seus maiores clássicos, "Burning Love" e "Always On My Mind". A primeira acabou se tornando um hit nas rádios, mostrando que Elvis ainda poderia ser um sucesso também fora do círculo de seus fãs mais devotados. A canção, um tipo de rock mais contemporâneo com nítidos toques da sonoridade de Nashville, caiu diretamente no gosto do público em geral. Já "Always On My Mind" só foi descoberta pelo grande público muitos anos após a morte de Elvis. Ela ficou numa injusta sombra enquanto Elvis viveu. Lançada como lado B do single "Separate Ways" não conseguiu fazer o menor sucesso durante a época de seu lançamento. É interessante notar também que na ocasião a música que deveria ser trabalhada pela RCA seria justamente "Separate Ways", algo que não deu muito certo pois o single não virou um campeão de vendas e nem se tornou tão marcante dentro da discografia do astro como um todo.

"Hillcrest Blues" tem poucas músicas, mas muitas faixas, mostrando as várias tentativas de Elvis em chegar nas versões definitivas, os conhecidos takes masters. Enquanto o grupo não se acerta o ouvinte também tem a oportunidade de ouvir Elvis conversando com o produtor, os demais músicos e o clima do ambiente onde ele estava. Esses registros são interessantes justamente por essa razão pois somos literalmente jogados para dentro do estúdio, como se também estivéssemos lá, compartilhando da companhia de Elvis e banda. Alguns takes que não foram aproveitados são praticamente perfeitos e só não foram utilizados por decisão de Elvis e o produtor Felton Jarvis que viram neles algum defeito ou algo que não os deixou plenamente satisfeitos. Também é interessante acompanhar como Elvis podia mudar a velocidade ou o estilo de interpretação em cada música, ora sendo mais sentimental, ora mais vibrante. Nos ensaios também podemos notar o clima de leve descontração por parte de todos, inclusive da máfia de Memphis que ficava ali por perto, tentando manter uma boa vibração sobre Elvis enquanto ele trabalhava. Um grande momento que para nossa sorte sobreviveu ao tempo. Não deixe de ouvir o CD clicando na janela abaixo. Boa audição.

Elvis Presley - Hillcrest Blues
01. Burning Love - take 1 (incomplete) / Here We Go Again (one liner)
02. Burning Love - take 2
03. Burning Love - take 3 / The Lord's Prayer (one liner)
04. Sweet Sweet Spirit (one liner)
05. For The Good Times (rehearsal)
06. For The Good Times - take 1 (incomplete)
07. For The Good Times (more rehearsal)
08. For The Good Times - take 2
09. For The Good Times - take 3 (false start)
10. For The Good Times - take 4
11. Anytime (one line) / dialogue
12. For The Good Times take 5
13. For The Good Times - take 6 (incomplete)
14. For The Good Times - take 7
15. Dialogue / El Paso (one liner)
16. Johnny B. Goode - take 1 (false start)
17. Johnny B. Goode - take 2 (false start)
18. Oh, How I Love Jesus (one liner)
19. Johnny B. Goode - take 3 / dialogue
20. A Big Hunk O' Love (incomplete) / dialogue
21. Always On My Mind (rehearsal)
22. Always On My Mind - take 1 (incomplete)
23. Always On My Mind - take 2
24. Separate Ways - take 1
25. Separate Ways - take 2

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Elvis Presley - RCA Studio C

Elvis Presley - RCA Studio C 
Em março de 1972 Elvis foi até o estúdio C da RCA em Hollywood para gravar novas músicas. Inicialmente os planos eram de gravar material inédito para ser lançado na trilha sonora do novo filme de Elvis pela Metro chamado "Elvis on Tour". Foi programada uma semana de gravações e as expectativas do produtor Felton Jarvis eram muito boas. Porém Elvis tinha outros planos e só apareceu mesmo por três dias.

No total ele gravou poucas músicas - sete apenas - porém nos chama a atenção até hoje a qualidade das faixas e a boa receptividade que essas canções tiveram depois. Na primeira noite de trabalho Elvis gravou apenas três músicas. Os trabalhos começaram com "Separate Ways" que havia sido escolhida pelo produtor para ser o lado A do próximo single de Elvis. Por essa razão resolveram caprichar bem nos arranjos, trazendo belos solos de violão. A letra era bem significativa para Elvis naquela ocasião pois ele estava bem no meio do turbilhão de problemas causados por seu divórcio da esposa Priscilla.

Logo após vieram as não tão marcantes "For the Good Times" e "Where Do I Go from Here?". Essas ficaram um bom tempo arquivadas, sendo que a última, por exemplo, só veio a ser lançada tempos depois no disco "Elvis", também conhecido como "The Fool Album". Essa primeira noite foi considerada pouco produtiva pelo produtor Felton Jarvis pois ele tinha planos de gravar pelo menos seis, sete faixas, até o dia amanhecer, mas Elvis não parecia tão disposto.

No dia seguinte Elvis foi ainda menos produtivo. Ele só gravou duas canções. Parecia um pouco cansado das longas viagens e dos concertos sem fim. Mesmo assim puxou energia para uma das canções mais populares dos anos 70, o hit "Burning Love". Era uma velha sugestão da RCA Victor, tentando fazer Elvis gravar músicas mais embaladas, alegres, não ficando tão restrito apenas às baladas românticas e ao material country. A outra gravada nesse mesmo dia foi "Fool" que no ano seguinte se tornaria a música de trabalho do disco "Elvis".

E para finalizar essas curtas, porém extremamente bem sucedidas faixas, Elvis terminou seu trabalho no dia 29 com a gravação da imortal "Always on My Mind" seguida da também excelente "It's a Matter of Time". Fazendo um panorama em cima da seleção de repertório é impossível negar que todas essas músicas tinham algo em comum e retratavam de certa maneira o momento emocional que Elvis vinha passando em sua vida. Até parecia que o cantor queria compartilhar com todos os fãs a triste realidade de um casamento destruído, fracassado. O fim de um sonho romântico que não se concretizou.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Elvis Presley - 3000 South Paradise Road

Elvis Presley - 3000 South Paradise Road
Aqui temos mais um lançamento do selo FTD (Follow That Dream). Logo de cara podemos perceber o bom gosto da direção de arte da capa. Quem é colecionador de longa data, desde os tempos do vinil, vai reconhecer rapidamente essa foto. Ela foi utilizada na contracapa do álbum "Elvis On Stage - February 1970". Elvis usa um figurino diferenciado, com camisa e calça em cores diferentes, algo bem raro de acontecer, principalmente depois que adotou as famosas roupas ao estilo jumpsuit (seus conhecidos macacões, geralmente brancos, mas também disponíveis em outras cores como preto, azul e vermelho). Pois bem, a capa como se pode perceber já é um convite para adquirir o CD, mas há mais atrativos.

São dois CDs na verdade, um lançamento duplo. No primeiro CD temos um show de Elvis realizado em 12 de agosto de 1972 em Las Vegas. Essa foi uma boa temporada que resultou em apresentações bem interessantes. Aqui temos o Dinner Show, que geralmente trazia um Elvis mais descansado, cantando melhor e com mais foco. Dentro de um repertório mais leve e dançante Elvis volta a se destacar ao cantar o hino "American Trilogy", Sim, ele poderia ter aproveitado para adicionar canções mais novas, recentemente lançadas no mercado, como "Burning Love", por exemplo, mas isso no final das contas não conta muito por causa de sua boa performance. Já o CD 2 traz um ensaio que Elvis realizou com a TCB Band em 4 de agosto, em Las Vegas também. Embora o clima de ensaio sempre deixasse Elvis mais disperso, não se preocupando muito em ser perfeito ao microfone, aqui ainda temos alguns lapsos de seu talento. "True Love Travels On A Gravel Road" do American Studios, por exemplo, ganha uma versão ao vivo. Pena que Elvis nunca tenha utilizado a música com mais frequência em suas apresentações. Seria um sopro de novidade muito bem-vindo. "I'll Remember You" e "Faded Love" também são destaques, mas a grande atração vem mesmo de "Burning Love", seu grande sucesso do momento.

Elvis Presley - 3000 South Paradise Road (2016):
CD-1: Las Vegas, August 12 1972 (D.S.) - 1. See See Rider / 2. Proud Mary / 3. Until It's Time For You To Go / 4. You Don't Have To Say You Love Me / 5. You've Lost That Loving Feeling / 6. Polk Salad Annie / 7. What Now My Love / 8. Fever / 9. Love Me / 10. Blue Suede Shoes / 11. One Night / 12. All Shook Up / 13. Teddy Bear/Don't Be Cruel / 14. Heartbreak Hotel / 15. Hound Dog / 16. Love Me Tender / 17. Suspicious Minds / 18. Band introductions / 19. My Way / 20. American Trilogy / 21. Can't Help Falling In Love.

CD-2: Rehearsal, Las Vegas August 4 1972 - 1. You Don't Have To Say You Love Me / 2. Until It's Time For You To Go / 3. You've Lost That Loving Feeling / 4. Burning Love / 5. What Now My Love (# 1) / 6. What Now My Love (# 2) / 7. My Babe / 8. For The Good Times / 9. True Love Travels On A Gravel Road /10: Fever / 11: Blueberry Hill / 12: Little Sister/Get Back (incomplete) / 13: I'll Remember You / 14: American Trilogy / 15:Something / 16: Faded Love / 17: You Gave Me A Mountain / 18: I'm Leavin' / 19: My Way (# 1) / 20: My Way (# 2).

Pablo Aluísio.