quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Elvis Presley - Black Tornado
Elvis Presley - Richmond 1972
Elvis Presley - Greensboro 1972
Enfim, é um material típico de 1972, onde Elvis parecia bem disposto, tanto nos palcos, como nos estúdios. Afinal de contas nesse mesmo ano ele ainda arranjou tempo para aparecer no documentário de shows da MGM denominado "Elvis On Tour" (Elvis Triunfal, no Brasil). O cantor parecia bem, de bom humor, com disposição para cumprir sua puxada agenda. Era um momento de leve brisa, antes da grande tempestade que estava se formando no horizonte.
Elvis Presley - Greensboro - April 14 1972 (2018)
CD 1 - 1. Also Sprach Zarathustra 2. CC Rider 3. Proud Mary 4. Never Been To Spain 5. You Gave Me A Mountain 6. Until It’s Tim For You To Go 7. Polk Salad Annie 8. Love Me 9. (Let Me Be Your) Teddy Bear 10. Hound Dog 11. Heart Break Hotel 12. A Big Hunk O’ Love 13. Bridge Over Troubled Water 14. Suspicious Minds 15. Love Me tender 16. Introductions 17. For The Good Times 18. An American Trilogy19. Burning Love 20. Release Me 21. Funny How Times Slips Away 22. Can’t Help Falling In Love
CD 2 - 01. Johnny B. Goode (Takes 1 - 3) 02. Always On My Mind (Rehearsal, with extra dialogue) 03. Separate Ways #1 (With Extra Dialogue - Raw outtake) 04. Separate Ways #2 (With Extra Dialogue) 05. Time Has Made A Change In Me (J.D Sumner & The Stamps Quartet) 06. I Should Have Been Crucified (J.D Sumner & The Stamps Quartet) 07. I John 08. Bosom Of Abraham - You Better Run 09. Lead Me, Guide Me 10. Turn Your Eyes Upon Jesus - Nearer My God To Thee 11. Sweet Sweet Spirit (By J.D Sumner & The Stamps - Rehearsal) 12. When It's My Time (By Bill Baize & The Stamps) 13. All Shook Up (April 9, 1972) 14. Teddy Bear - Don't Be Cruel (April 9, 1972) 15. Are You Lonesome Tonight (April 9, 1972) 16. I Can't Stop Loving You (April 9, 1972) 17. How Great Thou Art (April 9, 1972) 18. For The Good Times (April 9, 1972) 19. An American Trilogy (April 9, 1972 - This Is Elvis Overdub) 20. The Lighthouse (One-liner) - Hound Dog (April 5, 1972 - Rehearsal) 21. Bridge Over Troubled Water (April 5, 1972 - Rehearsal) 22. Funny How Time Slips Away (April 5, 1972 - Unedited);
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Elvis Presley - Almost Always True
Cantor: Elvis Presley
Música: Almost Always True
Compositores: Fred Wise / Ben Weisman
Álbum: Blue Hawaii
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 22 de março de 1962
Produção: Joseph Lilley / Hal Wallis
Engenheiro de Som: Thorne Nogar
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocais), Hank Garland (guitarra), Scotty Moore (guitarra), Hilmer J. "Tiny" Timbrell (guitarra), Bob Moore (baixo), D.J. Fontana (bateria), Bernie Mattinson (percussão), Hal Blaine (bateria), Dudley Brooks (piano), Floyd Cramer (piano), Homer "Boots" Randolph (sax), Alvino Rey (Steel Guitar), Bernie Lewis, Fred Tavares (Ukulele), The Jordanaires, The Surfers (vocais de apoio).
Comentários:
Durante anos e anos a trilha sonora do filme "Blue Hawaii" (Feitiço Havaiano, no Brasil) foi o LP mais vendido da carreira de Elvis Presley. Um grande sucesso comercial, tanto nas bilheterias, como nas lojas de discos. Na opinião do Coronel Parker esse havia sido o "projeto perfeito" da carreira de seu garoto. Eu particularmente não ouço muito esse disco. É algo muito, digamos, Hollywoodiano. E como tal envelheceu um pouco com o passar dos anos. As faixas cheias de arranjos havaianos, com instrumentos típicos das ilhas como o Ukulele e todos aqueles efeitos sonoros produzidos pela Steel Guitar funcionam melhor dentro do contexto do filme. Fora disso poucas músicas soam bem, como os clássicos românticos "Can't Help Falling in Love" e "No Moore". Outra exceção é justamente esse pop "Almost Always True". Bem gravada, contando com o excelente sax do mestre "Boots" Randolph, é uma das canções da trilha que valem a pena sempre ouvir. E nem precisa estar no clima do Havaí para gostar.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - Almost
Cantor: Elvis Presley
Música: Almost
Compositores: Kaye / Weisman
Álbum: Let's Be Friends
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 24 de outubro de 1968
Produção: Billy Strange
Engenheiro de Som: Eddie Brackett
Local de Gravação: United Artist Recorders, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocais), Morton Marker (guitarra), Robert Gibbons (guitarra), Max Bennett (baixo), Frank Carlson (bateria), Don Randi (piano), The Mello Men (vocais de apoio).
Comentários:
Música pouco conhecida, até mesmo entre os fãs do cantor. É um autêntico momento obscuro dentro da discografia de Elvis Presley. Originalmente a canção foi gravada para a trilha sonora do filme "The Trouble With Girls" (Lindas Encrencas, as Garotas, no Brasil), mas ficou sem lançamento na época. Isso porque a RCA desistiu de lançar um disco com as canções desse filme. No máximo algumas poucas faixas seriam aproveitadas em singles e nada mais. Porém algum tempo depois a gravadora decidiu inclui-la no disco "Let's Be Friends" que reunia mesmo várias sobras de filmes de Hollywood. Pelo menos assim os fãs da época tiveram acesso a essa canção que não é grande coisa do ponto de vista artístico, embora como sempre Elvis tenha sido profissional dentro do estúdio, a cantando corretamente.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Elvis Presley - All Shook Up
Elvis Presley - All That I Am
Artista: Elvis Presley
Música: All That I Am
Compositores: Tepper / Bennett
Álbum: Spinout
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 17 de fevereiro de 1966
Produção: George Stoll
Engenheiro de Som: Dave Weichman
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Hilmer J. "Tiny" Timbrell (guitarra), Tommy Tedesco (guitarra), Bob Moore (baixo), Murrey "Buddy" Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Homer "Boots" Randolph (saxofone), The Jordanaires (vocais de apoio).
Comentários:
Música da trilha sonora do filme "Spinout" ("Minhas três Noivas", no Brasil). É uma balada romântica que Elvis canta entre bucólicas cabanas de praia para sua partner no filme. A cena ficou igualmente romântica. No geral é uma boa canção, que consegue se destacar até mesmo fora do contexto do filme. O curioso é que a voz de Elvis está bem destacada, na frente de sua banda, uma exigência do Coronel Parker para a RCA que irritou Elvis na época, uma vez que ele ficava furioso quando mexiam nas suas gravações, mesmo que fossem para filmes. Nesse aspecto concordo com o cantor, a música teria ficado melhor usando a antiga fórmula, onde a voz de Elvis surgia no mesmo volume que os demais instrumentos e músicos de apoio que o acompanhavam. Colocando muito na frente sempre fiquei com aquela sensação de artificialismo, como se Elvis cantasse sob um playback instrumental previamente gravado. Não era uma boa opção.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - All I Needed Was The Rain
Compositores: Ben Weisman / Sid Wayne
Álbum: Elvis Singing Flaming Star and Others
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 1 de outubro de 1967
Produção: Jeff Alexander
Engenheiro de Som: Al Pachucki
Local de Gravação: M.G.M. Studios, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Chip Young (guitarra), Bob Moore (baixo), Murrey "Buddy" Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Charlie McCoy (gaita), Gordon Terry (violino), The Jordanaires (vocais de apoio).
Comentários:
Música que fez parte da trilha sonora do filme "Stay Away, Joe" (Joe é Muito Vivo, no Brasil). É a tal coisa, por essa época as trilhas de Elvis já não vendiam bem e nem a gravadora RCA tinha muito interesse nelas. Todos que faziam parte da direção da carreira de Elvis já sabiam que deveria haver mudanças em sua carreira, deixando Hollywood para trás para voltar a ser apenas um bom cantor, fazendo shows pela América. Os estúdios de cinema de uma maneira em geral só ofereciam roteiros fracos para Elvis, meros pretextos para que ele saísse cantando entre uma cena e outra. Nada muito relevante do ponto de vista artístico.
Esse "Stay Away, Joe" foi um dos mais fracos da fase final de Elvis em Hollywood. Filme confuso, com Elvis interpretando um mestiço mulherengo que quando não estava cantando, estava brigando com alguém ou rolando na lama com sua moto. A cena final inclusive lembrava comédias do tipo pastelão, com uma velha casa caindo aos pedaços. Nada memorável, obviamente. Curiosamente "All I Needed Was The Rain" tinha até algum valor musical. Era uma boa canção, com toque de blues, só que composta pela dupla Ben Weisman e Sid Wayne, campeões no quesito quantidade de temas feitos para os filmes de Elvis. Na cena do filme Elvis a apresentava no meio de uma chuva torrencial, enquanto se lamentava. Ficou até divertida e interessante a cena, por incrível que pareça!
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Shelley Fabares (1944 - 2026)
Elvis Presley - Summer Festival 72
O fato é que Presley tinha muitos problemas pessoais e profissionais por essa época. O casamento com Priscilla estava no fim, as temporadas em Las Vegas já não mais despertavam grande interesse no cantor que naquele período começou a se interessar muito mais pelos shows nas outras cidades americanas (como os realizados em Nova Iorque) como uma melhor oportunidade de conhecer novos públicos, novos desafios, enquanto que em Vegas as coisas iam ficando mais ou menos na mesma. A correria aliada a muitos shows e turnês levou Elvis a aumentar o consumo de drogas, o que acabou refletindo em problemas de saúde, cada vez mais graves. Seu aumento de peso também começou a ser notado pela imprensa, que muitas vezes ficava mais interessada nisso do que em sua música. Mesmo assim não podemos deixar de destacar alguns bons momentos nesse show como por exemplo a apresentação de "Until It's Time For You To Go" de seu novo LP na época, "Elvis Now". "For The Good Times" era outra novidade em meio a uma certa saturação de seu repertório. O bom é que o CD também traz gravações do chamado Midnight show (ou show da meia-noite) do dia 11 onde Elvis apresentou boas canções de rock como no medley "Little Sister / Get Back" (uma curiosa fusão entre um hit próprio dos anos 60 com a famosa canção dos Beatles). Já "It's Over" foi uma forma encontrada por Elvis para mostrar sua vitalidade e maturidade vocal. "Never Been To Spain", um belo blues, era outro sopro novo nos shows. Elvis a levaria inclusive para os shows no Madison Square Garden onde se tornaria um dos destaques do álbum ao vivo. Muito charme e balanço acompanham a faixa. Assim recomendo especialmente o título para os fãs de Elvis que gostem desse ano em particular. Afinal esse foi o ano do "Elvis on Tour", do "Madison Square Garden" e do "Elvis Now". Para muitos um dos períodos mais interessantes de toda a sua carreira.
Elvis Presley - FTD "Summer Festival '72" (FTD #34)
Dinner show, August 11, 1972
Also Sprach Zarathustra
See See Rider
I Got A Woman
Until It's Time For You To Go
You Don't Have To Say You Love Me
You've Lost That Loving Feeling Polk Salad Annie
What Now My Love
Fever
Love Me
Blue Suede Shoes
One Night
All Shook Up
Teddy Bear / Don't Be Cruel
Heartbreak Hotel
Hound Dog
Love Me Tender
Suspicious Minds
Introductions
My Way
An American Trilogy
Can't Help Falling In Love
Midnight show, August 11, 1972
Little Sister / Get Back
It's Over
Midnight show, August 12, 1972
Proud Mary
Never Been To Spain
For The Good Times
A Big Hunk O' Love
Tiger Man (opening only)
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Elvis Presley - 6363 Sunset
Vamos dar prosseguimento nas breves análises dos CDs da coleção FTD. Esse aqui em especial pode ser qualificado como um dos melhores já lançados. Na época de seu lançamento escrevi uma extensa matéria sobre ele. De fato é material de primeira qualidade, capturando Elvis em um momento particularmente inspirado de sua carreira. Se formos pensar bem Elvis teve dois grandes picos em sua trajetória artística. O primeiro começou em 1956 e se prolongou até sua ida ao exército americano em fins dos anos 50. O segundo vai de 1969 (quando ele retorna aos estúdios em Memphis para uma sessão maravilhosa) até 1973 (com o Aloha From Hawaii que marca o auge de seu momento popstar). Pois bem, em 1972 Elvis realizou muitos concertos, fez boas temporadas em Las Vegas, gravou um longa-metragem "Elvis on Tour" e voltou aos braços de seu público. Era um momento de grande euforia. Nesse CD "FTD Elvis 6363 Sunset" temos um registro desse momento de pique e euforia. Elvis, com agenda lotada, teve que se desdobrar para dar conta de tantos compromissos. Para isso era necessário também muitos ensaios com sua banda, para que quando estivessem em turnê ou nos estúdios tudo estivesse em ordem. A seleção musical é acima da média, com Elvis cantando um repertório simplesmente fantástico, a espinha dorsal do que ele vinha apresentando de melhor naqueles anos agitados.
O CD pode ser dividido em três grandes partes. As portas se abrem com takes do álbum "Elvis" que seria lançado em 1973. Esse disco é mais conhecido nos Estados Unidos como "The Fool Album" por causa da faixa "Fool" que abria o lado A do álbum original em vinil. É uma colcha de retalhos sonora que ganhou status cult com o passar dos anos. Na segunda parte ouvimos Elvis em pleno ensaio de seus trabalhos no filme "Elvis On Tour". Material muito bom, apesar de ser em essência momentos de ensaios e até descontração do cantor com a TCB Band. A terceira e última parte é composta por takes alternativos e inéditos das gravações do disco "Elvis Today". Coisa fina. A audição assim se torna extremamente prazerosa e gratificante. Entre os destaques é bom citar as versões deslumbrantes de belas canções como "Always on My Mind" (que só faria sucesso de verdade após a morte de Elvis), "Burning Love" (o clássico roqueiro temporão de sua carreira), "Green Green Grass of Home" (uma das mais evocativas músicas nostálgicas de sua discografia) e "And I Love You So" (bela música romântica, uma de suas mais intimistas performances em estúdio). Assim, embora um pouco ultrapassado hoje em dia tendo em vista lançamentos posteriores bem mais completos, o fato é que o CD "Elvis 6363 Sunset" ainda se mantém como uma bela pedida para os fãs. Um item que não fará feio em sua coleção.
FTD Elvis 6363 Sunset - Always on My Mind (take 3) Burning Love (take 2) For the Good Times (take 3) Where Do I Go from Here? (take 6) Fool (take 1) It's a Matter of Time (alt.) See See Rider (1972/03/31 rehearsal) Until It's Time for You to Go (1972/03/31 rehearsal) A Big Hunk o' Love (1972/03/31 rehearsal) All Shook Up (1972/03/31 rehearsal) Heartbreak Hotel (1972/03/31 rehearsal) Teddy Bear (1972/03/31 rehearsal ) Don't Be Cruel (1972/03/31 rehearsal) Can't Help Falling in Love (1972/03/31 rehearsal) Green Green Grass of Home (take 2-3) Susan When She Tried (take 1-2) And I Love You So (take 1) Bringin' It Back (take 2-3) T-R-O-U-B-L-E (take 1) Shake a Hand (take 2).
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - What Now My Love
Inclusive é bom salientar também que foi nessa temporada de Las Vegas, já no Hilton Hotel, que ele resolveu adicionar três novas canções no seu repertório: “What Now My Love” (que dá título ao novo CD), “Fever” (velha canção do ótimo disco Elvis is Back!) e “My Way” (o clássico de Frank Sinatra que na voz de Elvis ganhou uma nova e belíssima versão que ele levaria também para o concerto no Havaí com destaque).
Então o que basicamente temos nesse lançamento é um Elvis prestes a fazer o maior show de sua vida, que iria ser transmitido ao vivo via satélite, já testando novas canções em performances memoráveis. Não poderia haver nada melhor, não é mesmo? Se você curte Elvis nos anos 70, especialmente nessa fase, não deixe de ouvir. É um dos bons lançamentos do ano, sem sombra de dúvidas. .
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - Virginia is for Elvis Lovers
Generalizando um pouco podemos dizer que esse concerto realizado na cidade de Richmond, em 10 de abril de 1972, fez parte da série de shows que foram palco para o filme "Elvis on Tour" (Elvis Triunfal, no Brasil). Elvis parecia mais centrado, mais disposto a se apresentar melhor, afinal as apresentações iriam fazer parte do filme, iriam para as salas de cinema. Então era um tanto natural esse empenho extra quando as câmeras eram ligadas. Melhorar para sair bem na foto, ou melhor dizendo, no filme.
Curiosamente esse mesmo show está sendo lançado por dois selos diferentes no exterior. A Victrola já anunciou que lançará seu CD para breve, mas ainda sem dizer qual será o título escolhido. A Black Diamond, por outro lado, garante que esse "Virginia is for Elvis Lovers" terá maior qualidade sonora pois eles afirmam que foram direto na fonte, usando inclusive das fitas originais da época. Na dúvida procure ouvir ambos os CDs para tirar melhor suas próprias conclusões.
Elvis Presley - Virginia is for Elvis Lovers
Also Sprach Zarathustra / See See Rider / Proud Mary / Never Been To Spain / You Gave Me A Mountain / Until It’s Time For You To Go/ Polk Salad Annie / Love Me / All Shook Up / Medley: (Let Me Be Your) Teddy Bear - Don’t Be Cruel / Heartbreak Hotel / Hound Dog / Bridge Over Troubled Water / Love Me Tender / It's Over / Suspicious Minds / Band Introductions / For The Good Times / I Can't Stop Loving You / An American Trilogy / Lawdy, Miss Clawdy (incomplete) / Funny How Time Slips Away / Can't Help Falling In Love / Closing Vamp
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Elvis Presley - A Little Less Conversation
Cantor: Elvis Presley
Música: A Little Less Conversation
Compositores: Strange - Davis
Álbum: Almost in Love
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 7 de março de 1968
Produção: Billy Strange
Engenheiro de Som: Chuck Britz
Local de Gravação: Western Recorders, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocais), Joseph Gibbons (guitarra), Neil Levang (guitarra), Charles Britz (guitarra), Alvin Casey (violão), Larry Knechtal (baixo), Charles Berghofer (baixo), Hal Blaine (bateria), Gary Coleman (percussão),
Don Randi (piano), B.J. Baker, Sally Stevens, Bob Tebow, John Bahler (vocais de apoio).
Comentários:
A história dessa música é bem interessante dentro da discografia de Elvis. Ela foi originalmente gravada para fazer parte da pequena trilha sonora de "Live a Little, Love a Little". Nessa sessão Elvis gravaria apenas quatro canções, todas para o filme que nunca fez muito sucesso, não despertando muita atenção. Assim a faixa acabou sendo um Lado B de sua carreira, que poucos conheciam. Ainda foi encaixada dentro do repertório do álbum "Almost in Love" e depois disso completamente esquecida.
Os anos passaram e então o DJ Junkie XL resolveu fazer um remix em cima da música. Foi um sucesso espetacular, sendo atualmente uma das músicas mais conhecidas de Elvis, sempre tocada em festivais de música, raves e baladas eletrônicas ao redor do mundo. Elvis morreu sem jamais saber que essa gravação obscura iria se transformar em um hit mundial após seu falecimento. Voltando no tempo ainda temos outras curiosidades interessantes. Nessa sessão Elvis não contou com sua banda habitual, mas sim por um grupo musical arranjado pelo produtor Billy Strange (que também havia composto a canção). Nunca considerei uma grande gravação, nem fui particularmente fã dos arranjos originais, muito embora o remix seja mesmo contagiante. Caso raro de nova versão que ficou bem melhor do que a original de Mr. Elvis Presley.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - A Little Bit of Green
Cantor: Elvis Presley
Música: A Little Bit of Green
Compositores: Arnold / Morrow / Martin
Álbum: Back in Memphis
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 15 de janeiro de 1969
Produção: Chips Moman, Felton Jarvis
Engenheiro de Som: Al Pachucki
Local de Gravação: American Sound, Memphis, Tennessee
Músicos: Elvis Presley (vocais), Elvis Presley (vocal e guitarra), Reggie Young (guitarra), Tommy Cogbill (baixo), Mike Leech (baixo), Gene Chrisman (bateria), Bobby Emons (orgão), Bobby Wood (piano).
Comentários:
Essa é uma antiga música lançada pelo cantor country Eddy Arnold. Para quem não sabe a história de Arnold se confunde com a do próprio Elvis pois ele era da mesma região e tinha o mesmo empresário que Presley. Sim, o Coronel Parker também era o manager de Arnold. É curioso porque muito do que aprendeu em termos de negócios no mundo da música, Parker aprendeu justamente dirigindo a carreira de Eddy Arnold, um dos primeiros artistas que empresariou. Depois de um começo modesto em Memphis e Nashville sua vida mudou quando Parker lhe arranjou um acordo com uma das empresas mais poderosas dos Estados Unidos. Em 1944 conseguiu um contrato para ele com a RCA Victor, a mesma que seria a gravadora por toda a carreira de Elvis. Pois bem, deixando isso um pouco de lado vamos tecer alguns comentários sobre a música então.
Nunca achei uma grande canção e passa longe de ser um clássico dentro do repertório de Elvis. A letra novamente trata do tema sobre corações partidos. Em primeira pessoa o autor lamenta a perda da mulher amada, que agora está nos braços de outro. É o velho arrependimento que só bate quando você perde um grande amor e só se dá conta de sua importância quando ela resolve finalmente arranjar outro para tocar sua vida para frente. Assim, em termos gerais, a letra não é das mais originais e nem tampouco é tão bem escrita. Analisando bem são apenas três estrofes, nenhum deles excepcionalmente bem escrito. O refrão também não me agrada muito. Falta um pouco mais de conteúdo nessas passagens. A harmonia também não chega a surpreender. É bem gravada e executada, como tudo o que diz respeito ao material que foi gravado no American Studios (a banda que acompanhou Elvis era realmente acima da média), mas realmente novamente não impressiona. Acredito que o fato dela estar no meio de tantas obras primas ajudou a ofuscá-la ainda mais. Ela foi gravada no dia 15 de janeiro de 1969 no mesmo dia em que Elvis também gravou somente outra faixa: Gentle on My Mind. Pelo visto não foi uma das noites mais produtivas de Elvis no American.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Elvis Presley - Ain't That Loving You Baby
Cantor: Elvis Presley
Música: Ain't That Loving You Baby
Compositores: Clyde Otis / Ivory Joe Hunter
Álbum: Elvis Golden Records vol. 4
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 10 de junho de 1958
Produção: Steve Sholes
Engenheiro de Som: Selby Coffeen
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee
Músicos: Elvis Presley (vocal e guitarra), Hank Garland (guitarra), Chet Atkins (guitarra), Bob Moore (baixo), Floyd Cramer (piano), Murrey "Buddy" Harman (bongôs e percussão), D.J. Fontana (bateria), The Jordanaires (vocais).
Comentários:
Em 1964, em desespero de causa, a RCA Victor lançou no mercado finalmente um single de canções convencionais inéditas de Elvis Presley. Como não havia nada arquivado com força suficiente para fazer bonito nas paradas os produtores responsáveis pelos lançamentos do cantor foram até os arquivos da gravadora em Nova Iorque em busca de alguma coisa inédita de Elvis. E encontraram essa gravação de "Ain't That Loving You Baby", ainda dos anos 50 que havia sido arquivada pois o engenheiro de som havia notado algumas falhas técnicas. Ela tinha sido registrada numa das últimas sessões de gravação de Presley antes de ir para a Alemanha servir o exército americano. Pois bem, como a RCA estava desesperada o jeito foi lançar aquilo mesmo, do jeito que fosse possível. Realizaram um tratamento sonoro na música e a colocaram no mercado.
O resultado foi melhor do que o esperado. Elvis soava novamente interessante para o público e para a crítica - pena que em um registro antigo, dos tempos de roqueiro de Elvis quando ele ainda não havia se rendido ao estilo açucarado de Hollywood. Em relação ao Lado A desse single devo dizer que essa versão nunca foi a minha favorita. A acho sem ritmo e sem pique, algo que foi superado numa versão lançada bem mais tarde no álbum "Reconsider Baby" em 1985 - era um take alternativo, desconhecido, mas muito superior à versão oficial do compacto original! Poucas vezes vi tanta energia e jovialidade em gravações de Elvis como naquele take. Com uma bateria forte, compassada e feroz, a música faz qualquer um levantar da poltrona para dançar. Uma grande gravação de Elvis que sabe-se lá a razão ficou anos e anos pegando poeira nos arquivos da gravadora.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - A House That Has Everything
Cantor: Elvis Presley
Música: A House That Has Everything
Compositores: Tepper - Bennett
Álbum: Clambake
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 21 de fevereiro de 1967
Produção: Felton Jarvis, Jeff Alexander
Engenheiro de Som: Jim Malloy
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee
Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Chip Young (guitarra), Bob Moore (baixo), Charlie McCoy (guitarra, gaita), Buddy Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Hoyt Hawkins (piano), Pete Drake (steel guitar), Norm Ray (sax), Millie Kirkham (vocais), The Jordanaires (vocais).
Comentários:
A trilha sonora de "Clambake" não é das melhores de Elvis em Hollywood. Tampouco fica entre as piores. A RCA Victor inseriu algumas canções bônus em sua seleção musical que a livrou de ser meramente um disco fabricado pela indústria do cinema. Só para se ter uma ideia o clássico "Guitar Man" fez parte desse álbum. Assim não podemos dizer que "Clambake" musicalmente falando seja um desastre irrecuperável. Além disso não podemos deixar de salientar que Elvis gravou essa trilha sonora em Nashville e não na costa oeste. Trabalhando mais perto de casa ele se sentia mais inspirado e menos pressionado. O filme sim deixava a desejar. Elvis nem queria fazê-lo pois o roteiro era apenas uma variação de seus filmes de verão, filmes de praia. Porém como ele andava com dívidas pesadas nessa época para pagar resolveu se submeter. Pessoalmente ele não queria mesmo mais atuar em comédias musicais nesse estilo.
"A House That Everything" da dupla Tepper e Bennet é um dos bons momentos do disco. É uma boa balada, que se não se sobressai dentro da carreira de Elvis, pelo menos tem uma certa dignidade, sendo agradável aos ouvidos no final das contas. Particularmente gosto de muitas canções escritas por essa dupla de compositores. Claro que algumas tolices foram compostas por eles, mas o foram em número reduzido. “A House That Everything” é a primeira canção da trilha que desperta nossa atenção. Aqui Elvis utiliza uma vocalização bem típica da primeira metade dos anos 60, calma, suave e relaxante. Praticamente todas suas baladas gravadas antes de 1964 apresentam essa característica (vide a linda “There’s Always Me” do disco “Something For Everybody” de 1961, símbolo do estilo que estou citando). Como faz parte dessa trilha sonora, uma das menos conhecidas da carreira de Elvis, foi totalmente esquecida e ofuscada. Merece uma segunda audição.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - A Hundred Years From Now
Cantor: Elvis Presley
Música: A Hundred Years From Now
Compositores: Flatt - Scruggs
Álbum: Essential Elvis - Walk A Mile in My Shoes
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 4 de junho de 1970
Produção: Felton Jarvis
Engenheiro de Som: Al Pachucki
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee
Músicos: Elvis Presley (vocais e violão) / James Burton (guitarra) / Ronnie Tutt (bateria) / Chip Young (guitarra) / Bob Lanning (bateria) / Charlie Hodge (violão e voz) / Glen Hardin(piano) / The Imperials (vocais) / The Sweet Inspirations (vocais) / Millie Kirkham (vocais) / John Wilkinson (guitarra) / Norbert Putnam (baixo) / Jerry Carrigan (bateria) / David Briggs (piano) / Charlie McCoy (orgão e Harmônica) (Banjo) / Harold Bradley (guitarra).
Comentários:
A primeira vez que ouvi essa gravação foi no box "Walk A Mile in My Shoes". Na verdade nem é tecnicamente uma gravação oficial de Elvis Presley, nem tampouco saiu em qualquer disco seu dos anos 1970. Elvis sequer estava interessado em gravá-la para fazer parte de um álbum da RCA Victor. Foi apenas um ensaio, um momento de descontração entre ele e sua banda. Por muitos anos essa jam session ficou arquivada nos arquivos da gravadora. Só depois é que com o advento dos lançamentos de CD com material inédito foi finalmente lançada no mercado.
É uma música bem antiga, um bluegrass para se tocar com banjo que Elvis certamente conhecia quando era garoto. Para se ter uma ideia sua criação data de 1906 segundo alguns historiadores de música nos Estados Unidos. Sequer se pode afirmar com certeza quem a criou. Apenas alguns anos depois foi sendo popularizada. A performance de Elvis por sua vez foi claramente inspirada na versão da dupla de cowboys Flatt and Scruggs. Elvis inclusive tira uma onda com o estilo vocal do cantor desse grupo. James Burton também imita o mesmo solo, só que usando uma guitarra comum e não um instrumento acústico que era usado na gravação original. Em suma, é um momento divertido de Elvis e a TCB Band. Se a tivessem levado mais à sério poderia até mesmo ter entrado em um álbum como "Elvis Country", quem sabe...
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Elvis Presley - After Loving You
Cantor: Elvis Presley
Música: After Loving You
Compositores: E. Miller - J. Lantz
Álbum: From Elvis in Memphis
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 18 de fevereiro de 1969
Produção: Chips Moman, Felton Jarvis
Engenheiro de Som: Al Pachucki
Local de Gravação: American Sound, Memphis, Tennessee
Músicos: Elvis Presley (vocais, piano), Reggie Young (guitarra), Tommy Cogbill (baixo), Gene Chrisman (bateria), Bobby Wood (piano), Bobby Emmons (órgão).
Comentários:
Música gravada no American Studios, em 1969, quando Elvis estava determinado a melhorar a qualidade de seus discos, deixando o material de Hollywood, das trilhas sonoras, para trás de uma vez por todas. Como todos sabemos essas canções foram lançadas depois no aclamado "From Elvis in Memphis", considerado por muitos críticos como o melhor álbum de Elvis durante os conturbados anos 60. O homem estava pisando na Lua, havia uma nova década que estava para nascer e Elvis procurava por novas sonoridades, novos sons. No American ele foi acompanhado por jovens músicos, uma banda renovada que iria dar um sopro de renovação musical em sua carreira.
Em "After Loving You" Elvis resgata uma música antiga, lá dos anos 30, onde nem sequer havia uma indústria fonográfica implantada nos Estados Unidos. Tudo ainda era muito primitivo quando a canção foi criada pelo autor Eddie Miller. A inspiração para a gravação de Elvis muito provavelmente veio de uma gravação mais recente, na voz de Eddy Arnold. Elvis sabia que era uma grande canção, que merecia uma versão em sua própria interpretação. A letra romântica evoca uma pergunta do coração, onde em primeira pessoa Elvis se perguntava se ainda havia algo melhor na vida, após amar a mulher de sua vida. O que poderia existir depois disso? Por fim, uma curiosidade. Nos takes iniciais da gravação dessa canção, ainda na fase de ensaios, Elvis tocou piano. Ele de fato estava inspirado naqueles dias.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - A Fool Such as I
Cantor: Elvis Presley
Música: A Fool Such as I
Compositor: Bill Trader
Álbum: Elvis Gold Records Vol. 2
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 10 de junho de 1958
Produção: Steve Sholes
Engenheiro de Som: Selby Coffeen
Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee
Músicos: Elvis Presley (vocal e guitarra), Hank Garland (guitarra), Chet Atkins (guitarra), Bob Moore (baixo), Floyd Cramer (piano), Murrey "Buddy" Harman (bongôs e percussão), D.J. Fontana (bateria), The Jordanaires (vocais).
Comentários:
A gravação original dessa música se deu em 1952 com Hank Snow, se tornando um sucesso na parada country. Depois ela foi sendo regravada por diversos outros artistas em especial Tommy Edwards e Jo Stafford pelo selo Columbia records. Elvis registrou sua versão em 1958, numa época em que sua vida se dividia entre Hollywood onde filmava seu novo filme "King Creole" e Nashville onde tentava gravar algo inédito para quando estivesse servindo o exército na Alemanha.
Essa sessão contou com um novo membro na banda de Elvis, nada menos do que o guitarrista e produtor Chet Atkins, um dos melhores instrumentistas e arranjadores de sua época. Com Atkins podemos notar uma melhora na sonoridade das gravações de Elvis, em especial nas guitarras, onde ele realmente caprichava com sua Gibson. Por isso uma das melhores coisas de se ouvir na versão de "(Now and Then There's) A Fool Such as I" na voz de Elvis Presley é o conjunto formado pelas linhas de melodia providenciadas por Atkins. Junte-se a isso um vocal inspirado de Elvis e você vai entender porque essa é uma das grandes gravações de Elvis em estúdio durante os anos 1950. Simplesmente impecável.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Elvis Presley - A Dog's Life
Cantor: Elvis Presley
Música: A Dog's Life
Compositores: Sid Wayne / Ben Weisman
Álbum: Paradise Hawaiian Style
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 27 de julho de 1965
Produção: Thorne Nogar
Engenheiro de Som: Dave Weichman
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Barney Kessel (guitarra e violão), Charlie McCoy (guitarra e violão), Ray Siegel (baixo), Keith Mitchell (baixo), D.J. Fontana (bateria), Hal Blaine (bateria), Milton Holland (percussão), Larry Muhoberac (piano), Bernal Lewis (Steel Guitar), The Jordanaires (vocais).
Comentários:
Nos anos 60 Elvis Presley trocou o rock mais visceral que ele cantava na década anterior por um som mais pop, mais leve. Em Hollywood essa mudança se tornou ainda mais clara. Era o momento de Elvis cantar um material mais de acordo com os estúdios de cinema. "No Paraíso do Havaí" é um produto 100% feito para esse objetivo. A Paramount queria repetir o grande sucesso de "Feitiço Havaiano" (Blue Hawaii, de 1961), então acabou produzindo esse filme "igual, mas diferente", na verdade um genérico do filme anterior.
Assim chegamos nessa faixa "A Dog's Life". Em uma trilha sonora que já era considerada bem fraca, com toda aquela sonoridade havaiana, essa música ainda era considerada uma das mais banais. Na cena do filme Elvis contracenava com vários cães, alguns dele mesmo. Não foi obviamente um momento marcante, nem inspirador, mas pelo menos chegou a ser divertido. Elvis sabia que ele nunca seria lembrado por músicas como "A Dog's Life", mas procurava ao menos tirar diversão de tudo o que estava acontecendo em cena. Assim encare essa faixa. É uma diversão bem anos 60, ainda que sabendo que ela não vai fazer qualquer diferença no final das contas em termos puramente musicais.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - Adam and Evil
Cantor: Elvis Presley
Música: Adam and Evil
Compositores: Wise / Starr
Álbum: Spinout
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 17 de fevereiro de 1966
Produção: George Stoll
Engenheiro de Som: Dave Weichman
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocais), Scotty Moore (guitarra), Hilmer J. "Tiny" Timbrell (guitarra), Tommy Tedesco (violão), Bob Moore (baixo), Murrey "Buddy" Harman (baixo), Murrey "Buddy" Harman (bateria), D.J. Fontana (bateria), Floyd Cramer (piano), Homer "Boots" Randolph (sax), The Jordanaires (Backup Vocals).
Comentários:
Essa trilha sonora de "Spinout" nunca foi das minhas preferidas. Depois de 1965 as trilhas de Elvis tiveram uma queda em sua qualidade. As sessões passaram a ser feitas com mais pressa, menos capricho. Além disso as próprias composições já não eram tão boas. O material musical de uma maneira em geral havia decaído. O curioso é que em se tratando de "Spinout" sempre tive uma opinião formada, a de que o filme era melhor do que a trilha. Há bons momentos, com carrões possantes e boas sequências de corridas. Até a McLaren aproveitou para divulgar um de seus novos modelos no filme, colocando Elvis para dirigir uma dessas máquinas.
Já a trilha sonora me passa uma sensação de cansaço. Não apenas de Elvis e banda (aqui bem mesclada), mas também da própria maratona de se gravar diversos discos desse tipo em praticamente um ritmo industrial. Em relação a "Adam and Evil" não vejo maiores surpresas. Curiosamente a música que em si é simples acabou dando trabalho extra para Elvis. No total foram 29 tentativas para se chegar no take ideal! Uau! Elvis parecia mesmo desgastado com esse tipo de material.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - A Cane and a High Starched Collar
Cantor: Elvis Presley
Música: A Cane and a High Starched Collar
Compositores: Tepper / Bennett
Álbum: Flaming Star
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 8 de agosto de 1960
Produção: Urban Thielmann
Engenheiro de Som:Thorne Nogar
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocais), Howard Roberts (violão), Hilmer J. "Tiny" Timbrell (guitarra), Michael "Meyer" Rubin (baixo), Bernie Mattinson (bateria), James Haskell (acordeão), Dudley Brooks (piano), The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (Backup Vocals).
Comentários:
Essa canção fez parte da trilha sonora do western "Estrela de Fogo" (Flaming Star, 1960). O filme é muito bom, um faroeste que não deixava nada a desejar em relação a outras produções da época. A trilha foi mínima, com poucas canções. O estúdio parecia mais empenhado em promover Elvis, o ator, do que Elvis, o músico. Assim as canções ficaram em um segundo plano. Dentro desse repertório secundário sempre curti bastante essa melodia. Ela tem uma certa inocência brejeira, com direito a uma bela sanfoninha, que sempre me cativou. Além disso é uma das raras apresentadas por Elvis em cena no filme. Curiosamente apesar de ser uma boa música ela ficou anos, diria décadas, fora de catálogo. Antes do advento do CD e da Internet que facilitaria muito a vida do fã de Elvis, essa faixa era uma verdadeira raridade. Nem sequer foi lançada no Brasil em disco na época. Era realmente coisa de colecionador. No mais é outro prazer sem culpas da fase Hollywood de Mr. Presley.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Elvis Presley - A Boy Like Me a Girl Like You
Cantor: Elvis Presley
Música: A Boy Like Me a Girl Like You
Compositores: Tepper / Bennett
Álbum: Girls, Girls, Girls
Selo: RCA Victor
Data de Gravação: 27 de março de 1962
Produção: Joseph Lilley
Engenheiro de Som: Thorne Nogar
Local de Gravação: Radio Recorders, Hollywood, California
Músicos: Elvis Presley (vocal), Scotty Moore (guitarra), Hilmer J. "Tiny" Timbrell (guitarra), Barney Kessel (guitarra e violão), Ray Siegel (baixo), Neal Matthews (guitarra), D.J. Fontana (bateria), Hal Blaine (bateria), Bernie Mattinson (percussão), Homer "Boots" Randolph (sax), Dudley Brooks (piano), The Jordanaires (vocais), The Mellow Men (vocais), Norma Zimmer (vocais), The Amigos (vocais).
Comentários:
Gosto dessa balada romântica. Essa trilha sonora do filme "Garotas, Garotas e mais Garotas' tem seus bons momentos. É um conjunto de boas canções, embora nenhuma delas seja uma obra prima dentro da discografia de Elvis. A letra dessa "A Boy Like Me a Girl Like You" é bem no estilo romance adolescente que se espalhava pelas trilhas de Elvis em Hollywood durante os anos 60.
De bom mesmo temos a melodia, sempre terna e tranquila. O produtor Joseph Lilley quis trazer uma sonoridade mais de acordo com os boleros caribenhos, isso apesar do filme se passar no Havaí. Por falar nas ilhas americanas no Pacífico, é interessante notar que os compositores desse disco fugiram do som havaiano que todos tinham ouvido na trilha de "Blue Hawaii". Apesar do sucesso de vendas - o LP foi um dos mais vendidos da carreira de Elvis - a RCA acreditava que o público não estaria disposto a comprar dois discos de Elvis com o mesmo tipo de som.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - A Big Hunk o' Love
Cantor: Elvis Presley
Música: A Big Hunk o' Love
Compositores: Aaron Schroeder / Sid Wyche
Álbum: 50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong - Elvis' Golden Records Vol.2
Selo: RCA Victor
Data de Lançamento: 3 de novembro de 1959
Produção: Steve Sholes
Local de Gravação: RCA Studios, Nashville
Músicos: Elvis Presley (vocal e guitarra) / Chet Atkins (guitarra) / Hank Garland (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Buddy Harmon (bongôs) / The Jordanaires (vocais).
Comentários:
Rock gravado por Elvis nas últimas sessões realizadas antes dele ir embora para a Alemanha, onde serviu o exército americano até 1960. O Coronel Parker queria que Elvis gravasse várias faixas, para que fossem sendo lançadas periodicamente, em singles, enquanto ele estivesse longe na Europa. Depois esses mesmos compactos foram reunidos nesse álbum intitulado "50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong - Elvis' Golden Records Vol.2". Coisas que as gravadoras faziam na época.
A música é um dos grandes clássicos da carreira de Elvis Presley. Um rock memorável que inclusive foi reutilizado por ele duas décadas depois em seus concertos ao vivo, já na década de 1970. Caso tenha interesse em ouvir essa mesma canção em sua versão "Live" procure pelo disco duplo "Aloha From Hawaii" que você terá uma ideia na diferença entre as versões - a de estúdio dos anos 50 e a ao vivo dos anos 70. Em minha opinião ambas são excelentes, isso apesar de não gostar muito dos arranjos de metais que foram incorporados nas versões dos discos ao vivo.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 8 de julho de 2026
Elvis Presley - Separate Ways / Always on My Mind
Em 1972, ano em que esse single foi lançado, a música de trabalho era mesmo "Separate Ways" que eu considero uma bonita balada. Em minha visão a música foi gravada por Elvis por motivos bem óbvios. Ele estava se separando de sua esposa Priscilla, em um divórcio que iria ser bem dolorido para o casal. Assim era um tanto óbvio que Elvis iria se identificar com a letra. Bem gravada, com Elvis empenhado nos vocais, a música nunca chegou a ser um grande hit. Curiosamente seria aproveitada depois novamente pela RCA que iria criar um álbum com seu nome. Assim como havia com o single "Burning Love" a RCA aproveitaria as duas canções do single para abrir os respectivos lados A e B, recheando o resto do disco com gravações B de seus filmes em Hollywood.
Pablo Aluísio.
A recepção crítica à interpretação de Elvis foi extremamente positiva e muitos especialistas destacaram que ele conseguiu transmitir um sentimento de arrependimento e vulnerabilidade raramente ouvido em gravações anteriores de sua carreira. A revista Billboard elogiou a força emocional da interpretação e observou que poucos cantores conseguiam transformar uma simples canção romântica em um relato tão convincente de perda e reflexão. A Cash Box classificou o single como uma das melhores gravações produzidas por Elvis nos anos 1970, ressaltando o equilíbrio entre o arranjo orquestral e a interpretação vocal. Décadas mais tarde, revistas como Rolling Stone passaram a citar "Always on My Mind" entre as apresentações vocais mais memoráveis de Elvis Presley. Diversos críticos observaram que sua voz apresentava um tom mais grave e melancólico, refletindo a maturidade artística alcançada naquele período. Muitos jornalistas musicais também apontaram que a sinceridade transmitida pela interpretação fez com que a música ultrapassasse o gênero country-pop, tornando-se um clássico da música popular internacional.
Comercialmente, "Always on My Mind" obteve excelente desempenho nas paradas musicais. Embora inicialmente tenha sido lançada como lado B, a popularidade da música levou muitas emissoras de rádio a executá-la com frequência superior ao lado principal do compacto. O single alcançou posições expressivas nas paradas da Billboard, especialmente nas categorias Adult Contemporary e Country, demonstrando a versatilidade artística de Elvis naquele período. A gravação também conquistou sucesso em diversos países, sendo posteriormente incluída em inúmeras coletâneas oficiais do cantor. Após a morte de Elvis, em 1977, a canção voltou às paradas diversas vezes graças aos relançamentos de sua obra. O público passou a enxergar "Always on My Mind" como uma das músicas que melhor representavam a fase mais emocional e introspectiva do artista. Sua popularidade permaneceu constante ao longo das décadas, consolidando-se como uma das faixas mais executadas entre todas as gravações de Elvis Presley.
O legado de "Always on My Mind" tornou-se ainda maior graças às inúmeras regravações realizadas por artistas de diferentes estilos musicais. A mais famosa delas foi a de Willie Nelson, lançada em 1982, que recebeu vários prêmios e apresentou a composição a uma nova geração de ouvintes. No mesmo ano, o grupo Pet Shop Boys transformou a música em um enorme sucesso mundial ao adaptá-la para o estilo synth-pop. Apesar dessas versões extremamente populares, muitos críticos continuam considerando a gravação de Elvis como a interpretação definitiva da composição. A emoção presente em sua voz permanece como referência para cantores que desejam interpretar baladas românticas com autenticidade. A música também aparece frequentemente em listas das maiores canções de amor de todos os tempos e continua presente em trilhas sonoras, programas de televisão e documentários dedicados ao legado do Rei do Rock. Para muitos admiradores, trata-se de uma das apresentações mais sinceras de toda a carreira de Elvis Presley.
Mais de cinco décadas após seu lançamento, "Always on My Mind" permanece como um dos momentos mais emocionantes da história da música popular. Sua combinação de letra sensível, melodia inesquecível e interpretação profundamente humana fez da canção um clássico que atravessa gerações sem perder sua força. O single representa uma fase em que Elvis Presley demonstrava enorme maturidade artística e emocional, revelando nuances vocais que impressionam até os dias atuais. A música continua sendo presença constante em coletâneas, rádios especializadas e plataformas de streaming, conquistando novos ouvintes a cada ano. Também é frequentemente lembrada em documentários e biografias como uma das gravações que melhor sintetizam o talento interpretativo do cantor. Para inúmeros especialistas, "Always on My Mind" é um exemplo perfeito de como um grande intérprete pode transformar uma excelente composição em uma obra-prima definitiva. Sua influência permanece viva tanto na música country quanto no pop e no rock, confirmando o lugar de Elvis Presley entre os maiores intérpretes da história da música mundial.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Elvis Presley - Elvis On Tour - Parte 2
Sobre o filme o diretor ainda considerou: "Era muito material filmado para um filme de no máximo 90 minutos. Meu primeiro copião tinha 4 horas! Uma pena porque muito material rico foi cortado mesmo! Pegamos cenas incríveis de Elvis mas que não aproveitamos porque não havia espaço na metragem. A aparência física de Elvis também nos deu muito trabalho. Em um show ele aparecia jovem, bonito, bronzeado e esbelto, mas no dia seguinte ele se apresentava gordo, pálido, suado e com a aparência nada saudável. Fiquei perplexo em acompanhar tamanha mudança física em tão pouco espaço de tempo. Era uma situação de altos e baixos, ao limite. Mas tirando isso, essa experiência atrás das câmeras foi muito produtiva para o meu trabalho de diretor. E depois foi muito instrutivo participar de um projeto desses. Posso dizer com certeza que todos os documentários de shows que foram lançados depois de Standing Room Only – esse era o seu nome inicial, do qual gosto muito – beberam de sua fonte. Basta dar uma olhada nos projetos dos Rolling Stones e do Led Zeppelin. Sem dúvida nos copiaram!"
Quando lançado o filme foi muito bem elogiado pela crítica americana e muito disso se deu em decorrência de seu visual inovador e dinâmico. A revista Rolling Stone não poupou elogios e afirmou que "Finalmente havia sido lançado o primeiro filme de Elvis Presley". O coronel Parker já estava por essa época em negociações com a TV para a realização de um grande especial com Elvis, que iria ser transmitido via satélite para o mundo. Por isso pressionou os produtores para lançarem "Elvis On Tour" logo, pois caso contrário o filme iria acabar se transformando em concorrência para o especial de TV.
O pior aconteceu com a trilha sonora do filme. Parker simplesmente resolveu cancelar seu lançamento, pois ele estava mesmo apostando em dois outros projetos de discos gravados ao vivo – um no Madison Square Garden e outro do especial via satélite – e por essa razão se tornava inviável o lançamento de mais um disco ao vivo. Três discos iguais, com apresentações ao vivo de Elvis, seriam demais para o mercado! Mas uma coisa é certa: todo esse trabalho acabou valendo muito a pena. Quando foram anunciados os nomes dos filmes que iriam concorrer ao Globo de Ouro - o segundo mais prestigiado prêmio da indústria cinematográfica dos Estados Unidos, atrás apenas do Oscar - "Elvis On Tour" estava presente na lista, disputando na categoria de "melhor documentário do ano".
Elvis, bastante nervoso, acompanhou a noite de premiação de sua suíte no Las Vegas Hilton. Quando o mestre de cerimônias finalmente leu o nome do ganhador de melhor documentário do ano de 1972 – "Elvis On Tour" de Pierre Adidge e Bob Abel – Elvis deu um pulo da poltrona e simplesmente explodiu de felicidade! Não havia espaço dentro da suíte para tamanha comemoração por parte de Elvis e dos caras da Máfia de Memphis! O Rei também não deixou barato e nessa mesma noite deu uma das maiores festas que Las Vegas já presenciou! Todos correram para cumprimentá-lo e lhes dar os parabéns. Elvis não se conteve de tanta alegria e entre abraços, lágrimas e risos anunciou com muito orgulho que finalmente havia vencido o Globo de Ouro. Era a primeira vez que um filme de Elvis Presley ganhava um prêmio dessa importância. Foi uma das maiores glórias de sua já tão gloriosa carreira. Elvis estava mais do que nunca... Triunfal!
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - Elvis On Tour - Parte 1
No verão de 1972 Elvis foi informado pelo coronel Parker que a MGM estava interessada em filmar um documentário que mostrasse suas concorridas turnês pelas cidades dos Estados Unidos. A direção seria entregue a um dos maiores documentaristas em atividade e o aclamado diretor de cinema Martin Scorsese iria coordenar parte dos trabalhos de edição e montagem. Em Las Vegas, nesse mesmo mês, Elvis se encontrou pessoalmente com os produtores Pierre Adidge e Bob Abel. A conversa foi muito franca, tanto do lado de Elvis como dos produtores que lhe disseram abertamente: "Depois do sucesso do filme Woodstock entendemos Ter chegado o momento de filmar um documentário mostrando a origem de tudo isso, desse movimento social: você! Não gostamos de That's The Way It Is e seus filmes dos anos 60 foram tão ruins que ficamos até surpresos em como a MGM conseguiu comercializá-los. Apreciamos seu trabalho atual, mas preferimos as músicas que você cantava nos anos 50" Elvis, por sua vez, disse que não se sentiu muito à vontade nos estúdios da MGM durante as gravações de "That's The Way It Is" por causa das enormes câmeras de cinema que foram instaladas durante as filmagens, atrapalhando o movimento e a espontaneidade dele e do seu grupo de apoio. A conversa se prolongou e foi muito produtiva, os realizadores prometeram a Elvis que ele seria filmado por câmeras especiais, do tipo portátil e que seu raio de ação não seria limitado por falta de espaço como no caso de "That's The Way It Is". Pierre Adidge disse a Elvis, com seu forte sotaque francês, que esse filme seria produzido com a utilização do que havia de mais moderno em termos de edição de filmagem.
Tudo seria de primeira linha. Elvis deveria se mostrar de forma autêntica, agir de maneira habitual e espontânea, e não se importar com a equipe de filmagem que iria acompanhá-lo para todos os lugares. A intenção era filmar Elvis não só no palco, mas também nos camarins, no contato com os fãs, interagindo com os músicos, sem roteiros ou scripts pré determinados, tudo o que se queria captar era a verdadeira essência do mito Elvis Presley. Para tanto a equipe da MGM já começaria a gravar algumas cenas como teste nos seus próximos shows e iria acompanhá-lo nos estúdios da RCA em sua próxima sessão de gravação onde ele iria registrar novas músicas - entre elas uma tal de "Always On My Mind" e outra de um novo compositor, uma canção que Elvis tinha ouvido e gostado muito chamada "Burning Love"! A parte da direção musical ficaria inteiramente sob controle de Elvis e de seu produtor Felton Jarvis, sem intervenção do pessoal da MGM. Três dias depois Elvis se reuniu com a TCB Band e os avisou que sua próxima turnê seria filmada para o cinema. Elvis resolveu providenciar uma mudança no repertório com a introdução de novas canções nos shows. Trabalho duro pela frente!. Enquanto a RCA lançava o single "American Trilogy" - com "The First Time Ever I Saw Your Face" no lado B - Elvis começava sua turnê no leste do país, com a MGM gravando tudo o que acontecia nessa primeira rodada de shows. Elvis foi filmado dentro do avião, antes dos shows, conversando com fãs, enfim, todo o delírio que acontecia ao redor de uma turnê do rei do rock foi registrado pelo pessoal do estúdio.
Mais de 250 pessoas da equipe de filmagem acompanharam Elvis e banda nesses quinze shows realizados em várias cidades, como Buffalo, Indianapolis, Detroit, Dayton, Hampton Roads, Knoxville, Charlotte, Macon e Jacksonville. Segundo alguns membros da equipe que participaram do time da MGM mais de 40 horas de material foram filmados para "Standing Room Only" – o nome original do filme, depois mudado para "Elvis On Tour" (Elvis Triunfal no Brasil) – mas que nunca foram mostrados ao público. Shows inteiros foram filmados e não aproveitados, ficando no chão da sala de edição de Martin Scorsese. Esse precioso material pode um dia ser lançado, mas atualmente jaz nos arquivos dos estúdios MGM em Hollywood. Sem dúvida muita coisa foi gravada, mas a principal apresentação de Elvis nessa turnê ficou de fora!!! Talvez o pior erro cometido pelos produtores de "Elvis On Tour" foi não Ter filmado os shows de Elvis no Madison Square Garden em Nova Iorque. Até hoje a MGM não consegue dar uma resposta satisfatória por ter deixado passar essa apresentação – uma das mais importantes da carreira de Elvis – em branco. Como é que cometeram uma bobeada dessas? Durante a coletiva à imprensa em NY os jornalistas perguntaram a Elvis e ao Coronel porque não iriam ser filmados seus shows no MSQ? Os dois saíram pela tangente e não souberam responder a pergunta!!! – até mesmo porque essa era uma decisão da Metro e não de Elvis e nem do Coronel Tom Parker. Ninguém sabe ao certo porque essa infeliz decisão de não filmar em Nova Iorque foi tomada.
A última coisa a ser gravada para esse documentário foi uma entrevista particular que Elvis deu nos estúdios da MGM para os realizadores da película. A intenção era usar esses trechos falados entre as imagens com cenas dos shows, mas essa ideia foi abandonada depois. Essa entrevista que continua em grande parte inédita até hoje, teve mais de duas horas de duração e Elvis falou sobre tudo: a origem de sua música, seus ídolos de infância, sobre sua vida pessoal etc. Desse rico material só foi aproveitado um pequeno trecho em áudio, de alguns segundos, que foi utilizado durante as cenas de Elvis na TV americana nos anos 50. Muitos anos depois de seu lançamento, Martin Scorsese durante entrevista à revista Premiere, deu seu depoimento sobre sua participação em Elvis On Tour: "Standing Room Only foi um documentário que participei nos anos 70. Esse projeto foi filmado durante vários shows do cantor Elvis Presley pelos Estados Unidos afora. Ele acabou se tornando um grande exercício de cinema para mim porque o considero de certa forma um predecessor da linguagem dos vídeo clips atuais, da linguagem moderna da MTV. Essa edição foi muito dinâmica, quisemos mostrar um ritmo alucinante onde tudo acontecia ao mesmo tempo agora. Havia shows de Elvis em que colocávamos 12 câmeras rodando de forma simultânea, tudo focado nele e na banda, de todos os ângulos possíveis. Claro que esse vasto material se transformou num inferno na sala de montagem! No final porém acho que tudo ficou muito bom. Fiquei realmente satisfeito com o filme".
Pablo Aluísio.


























